sexta-feira, 3 de setembro de 2010

CAP. 3 - Conhecendo Wigam!

Até que Wigam era bem grandinha. Uma cidadezinha que tinha muitas coisas, tinha até um supermercado e algo parecido com uma lan house. Como da fazenda até a escolinha onde Tobey estuda é aproximadamente uma meia hora, Jasmine e eu fomos comprar algumas coisas.

-O que você acha dessas botas. –com um par de botas marrons, estilo country nas mãos.

-São... bonitas. –mas o preço era nada amigável.

-Que tal experimentá-las? –perguntou.

-Jasmine, você não acha que elas são caras demais, para se usar na fazenda? –perguntei.

-Oh querida, essas aqui não são para o dia a dia na fazenda, mas para os dias em que terá que ir a torneios e coisas do tipo. Para não precisar ir de tênis.

-Ok. Mas e as de uso no campo?

-Calce essas daí, e eu já volto com as outras. –disse e saiu.

Cara, olha só o preço dessas botas, custam mais do que todos os meus tênis juntos. Mas em compensação é muuiiitoooo linda!!!

-São de couro legitimo. Realmente uma bota deslumbrante. –disse um menina, enquanto estava de cabeça baixa, calçando as botas.

-Ahn? –quando levantei a cabeça, vi uma garota ruiva, de cabelos lisos que batiam nos ombros, e com algumas sardas no rosto. –olá? –disse.

-Oi. Você é nova por aqui, certo? –apenas acenti com a cabeça. –deve ser a filha do Sr.Watson?

Sr. Watson? Todo mundo aqui conhece o meu pai? Também, com uma fazenda daquele tamanho.

-Sim. E sobre as botas, são realmente lindas.

-Eu sei. Tenho um par parecido com esse. –ela disse. –sou Olive Nicholls.

-Lucy. –estendo a mão para cumprimentá-la.

-Pode me chamar de Liv. –disse ela. –e o que está achando de Wigam?

-Bom... é a primeira vez que venho aqui no centro. E isso tudo aqui esta me surpreendendo, sinceramente.

-Imaginava que Wigam fosse uma cidadezinha sem nada.

Eu apenas fiquei calada, enquanto olhava no espelhinho de chão da loja, para ver as botas.

-Se eu fosse você, ficaria com esse par de botas. Se não me engano é o último. –disse ela.

-O problema é que é muito caro. –falei.

-É um investimento que vale a pena- disse ela. –bom, tenho que ir. Só passei aqui para dar uma olhada nos lançamentos. Te vejo por ai. –disse antes de sair da loja.

Estava a observar novamente as botas, quando Jasmine apareceu.

-Vejo que já está fazendo amizade. A Srta. Nicholls costuma freqüentar a fazenda, a procura de cavalos. Geralmente vai para convencer o Michael a vender uma égua árabe. Mas ele não a vende por nada. Hum. –disse ela, enquanto olhava para fora da loja.- olha só, achei essas botas aqui para o trabalho no campo, são práticas e confortáveis.

Ao fim do dia estava quebrada. Mal consegui descer para o jantar. Acabei ficando no meu quarto observando tudo que havia comprado. Não acredito que comprei uma bota tão cara!!! Fala sério!!! Comecei a descobrir meu quarto, o banheiro aqui é enorme.

Dia seguinte... acordei, ou melhor fui acordada. Estava num dos meus melhores sonos, quando alguém bateu a porta. Ao abrir, quase cai pra trás tamanho foi o susto que levei.

-Você não vai levantar não? Tem muito trabalho a ser feito aqui na fazenda, melhor se apressar. Isso se você quiser tomar café da manhã.

Quem esse garoto pensa que é pra falar dessa maneira comigo? Nem a minha mãe e nem ninguém nunca falou assim, mas ele me paga. Tava tão atormentada com a imagem que vi logo cedo que nem consegui falar nada. Claro que me arrumei, mas tentei demorar o máximo possível.

O café ainda estava na mesa, mas onde será que o Michael e a Jasmine estavam? No lugar deles apareceu uma jovem senhora, que se apresentou como Rachel. Disse que eu podia chamá-la assim também, e começou a falar que eu parecia demais com o meu pai, que não teria como não sermos da mesma família. Aff... e disse que Michael e Jasmine haviam saído, tinham ido buscar alguma coisa em uma fazenda vizinha, que apenas o pequeno Tobey havia ficado e estava no estábulo com Asher.

-Tobey adora o Asher, nunca vi coisa igual. Parecem dois irmãos. –e eu tive que ficar escutando isso tudo.

Me ofereci para ajudá-la na cozinha, mas ela disse que não precisava, que era melhor ir para o estábulo já que Asher estava a minha espera.

Segui em direção ao lugar que eu não queria ir. Que coisa!!! Asher estava mostrando ao Tobey como fazer um estilingue.

-Lucy! –gritou Tobey assim que me viu, e correu em minha direção e pulou no meu colo. Ainda bem que ele é pequeno, porque senão eu teria caído no chão.

Fiz uma cara bem feia pro Asher.

-Não acredito que você está ensinando isso ao menino. –falei assim que cheguei. –daqui a pouco ele vai sair matando os passarinhos todos por ai.

-Eu só estava mostrando a ele.

-Sei. Tobey meu querido, você não pode sair por ai matando os passarinhos, ok?

Ele assentiu com a cabeça.

-Eu não vou fazer isso Lucy, eu gosto dos passarinhos. –eu sorri para ele, ele sempre é tão fofinho, e isso porque eu conheço ele a menos de uma semana. É uma criança encantadora.

-E já não está na hora de você ir para a escola? –falei com ele.

-Sim, e hoje quem vai me levar é você e o Ash. –ele disse.

-Oh meu bem, o Ash irá te levar, mas eu tenho que ficar aqui pra fazer algumas coisinhas.

-Mas o Ash disse que você também iria.

-Disse?

Asher não havia pronunciado nada, apenas estava sentado nos observando. Quando ele resolveu.

-Tobey, vai pegar a sua mochila, Rachel sabe onde está e nos encontre no carro. Tudo bem?

Tobey apenas assentiu com a cabeça enquanto eu o colocava de volta ao chão. Assim que ele saiu resolvi quebrar o silêncio.

-Como assim ‘nos encontre no carro’? –perguntei.

-Não tem muita coisa pra fazer aqui hoje, e amanhã terá vacinação nos cavalos, o tio Michael achou que seria uma boa, se fossemos levar o pequeno Tobey na escola. –ele falou friamente.

-Claro, vocês decidem as coisas e nem me falam nada.

-Olha, eu não tenho culpa. O tio apenas achou que seria uma boa idéia, se não quiser ir, tudo bem. Mas creio que o Tobey vai ficar chateado. –disse se levantando e saindo do estábulo, me deixando ali parada.

Como ele pode fazer isso comigo? Caramba!!!

Em menos de cindo minutos e lá estava eu na caminhonete. Eu apenas fiz isso por causa do Tobey, mas o pior de tudo foi ver a cara de quem venceu a batalha do Asher. Como ele podia ser tão insuportável?

Mas o Tobey ficou muito feliz, e isso era o que importava.

-Os meus coleguinhas vão pensar que eu troquei meus pais. Mas eu vou dizer a eles que vocês tomaram uma pílula para voltarem a ser crianças. –disse ele rindo.

Esse menino tem realmente cinco anos??? Como ele pensa uma coisa dessas?

-Não Tobey. –disse a ele. –somos apenas seu primo e sua irmã. –eu tentei desconversar.

-Vocês bem que podiam fingir, só até eu entrar na escolinha, e de tarde vocês vem me buscar.

-Não é uma boa idéia. –tentei falar pra ele.

-Por favor!!! –implorou ele, desta vez olhando para Asher, que ainda não havia se pronunciado.

-Tobey. –falei.

-Por favor!! –ele insistiu novamente.

-Tudo bem. Mas só desta vez. –disse Asher. Mas como ele podia concordar com uma coisa dessas? Aff... não dá pra acreditar!!!

Eu olhei para ele com cara de QUE!!! Como você pode coniver com uma coisa dessas?

-Yes!!! Valeu Ash, valeu Lu. –disse ele todo animado.

-O que? Eu apenas fiz isso por ele. –sussurrou Asher enquanto Tobey comemorava.

Assim que chegamos na escola onde Tobey estudava, tivemos que descer do carro para levá-lo até a porta, e por aqui tinha um negócio de assinar lá, o responsável tinha que fazer isso. Pior pra mim que tive que descer do carro por insistência do Tobey, e seguir de mãos dadas com Asher e outra com o pequeno.

Que vergonha... ainda bem que ninguém me conhece por aqui, mas talvez isso nem tenha sido a melhor parte, porque todos me encaravam.

-Eu te mato. –sussurrei para Asher.

Deixamos Tobey na escola e voltamos para o carro.

-Eu não acredito no que você me fez fazer. Eu te odeio. –batendo no braço dele.

-Porque? Você não viu como o menino pediu? Negar algo para uma criança.

-O fato não é negar, mas sim.... olha, para e pensa no que você me fez passar, todos estavam nos encarando. Olha só o tamanho disso aqui... vão falar de mim para o resto da vida...

-Deixa de ser exagerada.

-Eu não sou exagerada.

-É sim.

-Não mesmo.

Ele me encarou por um momento, antes de ligar o carro.

-Tenho que comprar algumas vacinas. Vamos passar no veterinário. Tudo bem?

-E tem outro jeito?

Ele abriu um meio sorriso e seguiu.

Em casa, segui para o estábulo, tinha alguns afazeres por lá. Suerte estava deitada, parecia cansada. Mas como? Eles não a utilizam aqui na fazenda, como poderia estar assim?

-Hei –chamei um funcionário que estava por perto. –está égua não está bem. Vocês a utilizaram na parte da manhã?

-Não. Ainda nem esta na hora de leva-la para o campo.

-O que será que ela tem? –perguntei.

-Oh não. –disse o empregado.

-O que foi?

-A pata dela está sangrando, deve ter sido alguma cobra. Mas como? Dentro do estábulo? Vou chamar o veterinário. –disse ele saindo dali.

-Olá garota, -entrando na baia –o que aconteceu com você? Como se machucou?

-Hei, você não pode entrar nessa baia. –Asher me puxou de lá, antes que Suerte tentasse me morder.

-O que? Porque me tirou de lá?

-Não viu o que ela tentou fazer? Essa égua é traiçoeira.

-Ela não é traiçoeira, ela esta doente, não vê?

-Doente?

-Parece que se machucou, uma picada de cobra. Não vê que a pata esta sangrando? –perguntei.

-Como? Há muito aqui não temos incidentes com cobras.

-Não sei. Só sei que ela está mal. Não vê? –disse me aproximando da baia.

-Já disse para ficar longe dela. –me puxando novamente. Como ele consegue fazer isso? Num instante estava grudada na baia, no outro estava o mais distante.

-Ela não é assim como vocês falam.

-Lucy, falo isso por experiência própria, se você não acredita.

-O doutor não poderá vir até aqui, teremos que levá-la para a cidade.

-Como uma fazenda deste tamanho não tem um veterinário? –perguntei.

-Melhor parar de tagarelar e nos ajudar. –disse Asher. –você sabe dirigir?

-Claro. –respondi.

-Vai buscar o trailer e estacione o mais próximo que conseguir daqui.

-Mas onde fica o trailer?

-Perto da casa.

-Tudo bem.

Corri o mais rápido que pude para buscar o trailer, não sei como fariam para colocá-la ali dentro, mas queria ajudar.

Voltei o mais rápido que consegui com o carro, deram um jeito que não pude ver muito bem para colocar Suerte no trailer.

-Pode deixar que daqui pra frente eu dirijo. –disse Asher ao chegar no carro. Se quiser ficar aqui tudo bem.

-Não! Eu quero ir.

Ele se surpreendeu com a minha reação, mas depois fez menção para que eu pudesse me sentar no banco do passageiro.

Em alguns minutos e estávamos no consultório do doutor Mackenzie, que a examinou, fiquei esperando na recepção, porque eu não sei o motivo que não pude entrar.

-E ai, o que aconteceu? -assim que Asher apareceu.

-E ai, que ela quebrou a pata. –disse ele seriamente. –o que o tio Michael vai achar? –nunca o vi tão preocupado assim.

-Mas como? O funcionário disse que ela esteve toda a manhã na baia.

-Deve ter se assustado com algo, e... não sei.

-O Michael gosta muito dessa égua, não é?

-Esse é o problema, e ela terá que ficar aqui por um tempo, já que o veterinário não poderá aparecer lá pela fazenda por esses tempos.

-Nossa...E quando ela será operada?

-Talvez amanhã.

-Oh... –estava prestes a abrir minha boca quando ouvi um celular tocar.

-Mensagem da Jasmine, disse pra pegarmos o Tobey na escola.

-E já esta quase na hora.

-É. –disse seriamente.

E lá fomos nós buscar o Tobey, Asher mais preocupado do que tudo.

-Melhor se acalmar, o Michael vai entender. –falei.

-Não sei. Ele gosta demais daquela égua.

-Se quiser eu vou sozinha buscar o Tobey e você fica aqui, e vê o que o médico diz. –sugeri.

-Não... –ele me olhou –você ainda não sabe andar sozinha por aqui. Melhor eu ir junto.

Apenas assenti com a cabeça. Assim que chegamos ao colégio, Tobey já nos aguardava na porta. Com uma imensa cara de felicidade.

-Oi, Lu. –disse assim que me aproximei e me deu um grande abraço.

-Oi Tobey, como foi o seu dia? –perguntei seguindo para o carro novamente.

-Lucy, você pode levar o Tobey pra casa? Eu vou passar lá no veterinário. –interrompeu.

-Mas... –tentei falar, mas fui interrompida novamente.

-Creio que saiba chegar até a fazenda. –ele me disse seriamente.

-Claro. –apenas dei uma olhada para ele, que continuou olhando pra frente e voltei a conversar com o Tobey.

-Conte-me o que você fez hoje. –falei.

CAP. 2 - Tarefas à fazer!

O baile infelizmente se foi... e essa é uma das coisas na qual eu não quero lembrar. Mas acho que aqui não vai ser tão ruim. Essa casa é muito grande, capaz de ficar perdida aqui.
O Michael disse que aqui se tem alguma tarefas para fazer, apesar de todos os empregados ele disse que são contratados mais para cuidar dos animais. Então me deu algumas tarefas para principio de conversa.
Claro que eu nem posso reivindicar, já que vou ter que morar aqui até completar meus dezoito anos.
Lista de à fazeres:
1-Pegar ovos no galinheiro;
2-Limpar as baias;
3-Alimentar os cavalos e dar sal para o gado; (não sei nem como começar a fazer isso)
4-Escovar os cavalos usados no dia após dar o banho.
Acho que o Michael se esqueceu que eu acabei de chegar por aqui. Não tenho costumes com fazendas.
-Como quer que eu faça alguma coisa... eu nem sei aonde fica a baia e quais os cavalos usados no dia. –disse a Michael.
-Asher irá te ajudar. –ele disse calmamente.
-E quem é Asher? –perguntei.
-Seu primo.
-Primo?
-Oh... ele é filho do meu irmão... que sofreu um acidente juntamente com sua esposa, desde então o Asher mora aqui conosco.
Uau!!! Que história... coitado do garoto, deve ser o maior revoltado com a vida...
-Nossa... –foi meu único comentário.
-Ele foi a Wigam comprar ração para os cavalos. Assim que ele voltar, ele irá ajudá-la. Enquanto isso você pode ajudar a Jasmine com os à fazeres da casa.
Ele realmente quer me ver trabalhando.
-Isso se você já tiver acabado de arrumar as suas coisas.
-Sim, eu arrumei tudo ontem a noite.
-Não estou querendo ser mandão com você, é apenas que aqui na fazenda todos temos à fazeres. Entende?
Não, não entendo... eu nem sei mexer com essas coisas e olha só... eu vou ter que fazer coisas antes vistas apenas nos filmes.
-Claro.
-Bom... estou indo para o curral, soube que algumas vacas estavam com alguns ferimentos.
-Tudo bem.
Me direcionei para a cozinha, onde sabia que encontraria com a Jasmine. Ela era uma mulher jovem, parecia alguns anos mais nova que meu pai. Assim que entrei ela estava acabando de preparar algumas panquecas para o pequeno Tobey.
-Oi. –disse assim que me viu na cozinha.
-Oi. –disse sem graça.
-Aceita panquecas?
-A mamãe faz as melhores panquecas do mundo. –disse o Tobey com a boca cheia. Ele era um menino muito fofo, e aquela carinha de esperto dele.
-Também não é isso tudo Tobey. –disse ela sem graça.-sente-se.
-Tudo bem. –logo ela veio me servindo.
-Acho que em algum lugar ali no armário tem geléia de amora, se você quiser.
-E eu mamãe?
-Tobey, você tem alergia a amoras. Lucy, pode pegar para mim a geléia de morango?
-Sim. –ao abrir o armário tomei um baita susto, nunca tinha visto um tão cheio... eles tinham bastante mantimentos por aqui.
-Você não vai querer a geléia de amora? –ela me perguntou.
-Ahn... prefiro a de morango também.
-Tudo bem. –então ela voltou para a pia, como se fosse lavar a louça ou fazer qualquer outra coisa. –de onde você é mesmo?
-Source.
-Source. Legal, eu já visitei aquela cidade. É realmente um lugar muito agradável para se viver.
-É. –concordei, enquanto comia. –e como você conheceu o Michael?
-Foi em uma dessas visitas dele a alguns congressos e encontros de fazendeiros.
-Pelo jeito, você também gosta bastante dos animais.
-Na verdade, passei a gostar depois que vim para cá. Os animais são fascinantes. Mas eu fui naquele congresso apenas por curiosidade. Afinal eu sou formada em direito, não era a minha praia.
-Uau!
-Ele nunca havia me dito que tinha uma filha. -comentou.
-Bom... acho que ele nunca soube que tinha uma filha. Acho que minha mãe teve que ir embora antes mesmo de saber que estava grávida de mim.
-A vida aqui é diferente da que você tinha no Source, mas tenho certeza que vai gostar daqui. Foi assim comigo.
Rimos juntas. Jasmine estava querendo se aproximar de mim, e pelo jeito tudo estava dando certo.
-Bom... eu vou levar o Tobey para a escolinha. Você quer vir? Assim conhece Wigam.
-Ahn... é que o Michael me deu uma lista de à fazeres, então....
-Oh, mas já? Pensei que ele iria esperar um pouco.
-É... –fiquei super sem graça. –ele disse que o Asher me ajudaria.
-Oh sim. Ele foi comprar a ração. Mas já deve estar chegando. –ela sorriu. –Tobey, já está na hora de irmos.
-Já mamãe?
-Sim meu querido, vamos? –ele saiu correndo para a sala. –deve ter ido pegar a mochila. Não vou demorar muito. Se precisar de alguma coisa é só me chamar, tudo bem?
-Ok. –respondi.
Assim que acabei com o meu café da manhã, lavei as louças e fui procurar o Asher. Apesar de não fazer a menor idéia de quem seja.
Tentando explorar a fazenda, encontrei onde ficavam os cavalos, eram incríveis e muito bonitos. E cada cavalo tem a sua baia, com direito a nome e tudo.... uau!!!
Acho que estava distraída admirando os cavalos, uma égua em especial, era diferente... sabe quando você apenas com um olhar se encanta com algo? Mas a baia estava sem placa, não dizia seu nome ou sua raça. Então segui, não deixei de notar o comportamento dela, ela estava mais agitada que os outros, senti medo já que não tenho costumes com cavalos e não sei o que ela queria. Afastei andando de costas, ainda virada observando os movimentos dela, não vi que alguém estava atrás de mim e quando vi já estava no chão.
-Au. –disse um rapaz.
-Oh, me desculpa. –assim que tentei me levantar. –eu não vi você.
-Ahn.. tudo bem. –logo depois se levantou.
-Sério mesmo, me desculpa, eu não quis...
-Hei, tudo bem. Eu já disse. –ele parou por um instante. –você é nova por aqui, certo? Nunca te vi antes.
-Ahn... certo, eu não sou daqui.
-E o que faz aqui?
-Eu vim morar com o Michael
-Morar com ele?
-Sim, era isso ou ir para o abrigo de menores... então essa foi talvez a melhor escolha.
-Oh... você deve ser Lucy. Ele falou que você viria.
-Falou?
-Sim, prazer Asher Watson. –ele estendeu a mão.
-Igualmente. –retribuindo. –o Michael falou algo sobre você me ajudar.
-E com o que seria?
-Uma lista de à fazeres aqui na fazenda. –mostrei a ele.
-Ok. –ele deu uma olhada –eu preciso acabar de descarregar a caminhonete. Assim que terminar começamos.
-Tudo bem.
-Se quiser pode esperar lá fora.
-Sim, mas antes queria te perguntar uma coisa.
-O que?
-Aquela égua... porque é a única sem nomeação?
-Oh... Luck ou Suerte seu nome de origem, é uma égua árabe que o tio Michael comprou, já há alguns anos quando era apenas uma potra. Não se sabe ao certo porque sua doma ainda não foi concluída. Mas o tio não quer vendê-la, diz ainda descobrir os segredos que a envolvem.
-Árabe?
-Sim, uma raça muito antiga, usada pelos árabes para o transporte pelo deserto. É um cavalo muito resistente, mas o tio Michael só tem a Suerte dessa raça.
-E Porque? Ela é tão bonita quanto os demais. Porque ele não cria outros animais dessa raça?
-Ele prefere outras, como o quarto-de-milha, o appaloosa ou mesmo o paint horse. São as preferência dos criadores daqui e para a venda talvez seja melhor negócio.
-Ahn...-a égua estava olhando em nossa direção, -então eu vou te esperar lá fora.
-Ok.
Me sentei em um toco de árvore próximo a baia, de onde dava pra observar que alguém treinava um cavalo no cercado.
-Ele é muito bom na doma de cavalos. –me assustei com a aparição de Asher que cheguei a cair do toco onde estava sentada, não me pergunte como fiz essa proeza.
-Hei, calma. –disse ele tentando me ajudar.
-Cara, você me deu o maior susto.
-Foi mal.
Fiquei encarando ele por um tempo.
-Vamos? –disse ele.
Me levou ao galinheiro que ficava depois do estábulo, num lugar um tanto distante da casa. Me deu uma cesta para colocar os ovos e entramos.
-Bom, acho que daqui pra frente você sabe o que fazer, é só recolher os ovos. –ele disse.
-Ok.
-Da lista, as baias já foram limpas hoje, e eu vou alimentar os cavalos hoje. Os cavalos... apenas no final do dia para banha-los.
Comecei a recolher os ovos, mas eram poucos pelo jeito elas não haviam botado muitos.
Asher me esperou pelo lado de fora do galinheiro, eu comecei a me sentir como se fosse uma criança que não sabe das coisas. Já que ele conferiu tudo o que eu fiz.
-Coloque esta cesta na cozinha, Jasmine vai cuidar deles.
Apesar do pouco tempo de convívio ele estava sendo muito mandão, usando muitas palavras no imperativo, mas ainda assim ele era muito bonito. Cabelos claros, olhos azuis piscina, e era alto.
Segui com ele para as baias.
-Os cavalos são animais que tem uma percepção incrível. Eles sentem o seu medo. Então mesmo para entrar em sua baia para colocar a comida, deve mostrar que você é da confiança dele, seja amigável. Assim não lhe fará nada.
Apenas o observava.
-A ração será somente para a época da seca ou mesmo nos dias que nevarão. Como ainda está um pouco longe, o melhor é dar a eles a ração feita com o capim, vou deixá-la diariamente aqui, para que possa facilitar para você.
-Tudo bem.
-Se quiser pode tentar se aproximar dos cavalos. O Bug é o mais calmo por aqui. –se dirigiu ao corredor para pegar um pouco de capim. Ahn, como nós os alimentamos 4 vezes ao dia, duas refeições serão o capim fresco e duas o feno que está aqui, de forma intercalada.
-Certo. –eu ainda estou meio perdida, mas alguma hora isso tem que dar certo, não é?
-Bom, você pode começar agora, assim eu posso te ajudar. –ele disse cavalheiro.
-Mas, a maioria dos cavalos não esta nas baias. Não tem problema?
-Na verdade não, essa é com certeza a melhor hora para você conhecer o interior da baia e colocar comida e água.
Eu olhei em volta a procura de algo para colocar o capim. Juntei em uma espécie de balde que encontrei.
-Ali fica o milho. Eu gosto de fazer essa mistura. Pode pegar ai nesse tambor. –ele disse.
Eu apenas fiz o que ele disse e misturei o milho ao capim, claro que eu não queria pegar no capim. Estava molhado demais, além de que o Asher estava só me observando. Aff...
Estava super concentrada no que fazia, e segui para a primeira baia. Estava vazia, então tudo foi calmo, coloquei o capim juntamente com o milho, e sai. A segunda baia era ocupada por uma égua, que me estava prenha, ela estava muito lenta e com um barrigão enorme. Não sabia muito o que fazer, como estava com vergonha de pedir ajuda ao Asher resolvi fazer isso por conta própria. E ele até se sentou para ver o espetáculo.
Abri a baia e tentando passar confiança à égua, mostrar a ela que eu não era seu predador, fui me aproximando e consegui até fazer um carinho nela, estava pra colocar o capim no coche, quando tomei o maior susto da minha vida, meu celular tocou na hora, a égua começou a relinchar alto e meio que a empinar. Não sabia o que fazer, então a primeira idéia que veio foi sair correndo, então foi o que fiz. E bom... acho que eu não tenho mesmo muita sorte, principalmente se tratando em corridas, mal havia chegado do lado de fora, que levei outro susto, tomei um tombo daqueles... cara, que coisa horrível, e ainda tinha que ser em cima de um enorme monte de bosta... triste, eu sei.
Eu acabei não atendendo o meu celular, que a essa altura do campeonato deveria estar debaixo de todo aquele estrume. Que horror!!! E pra piorar a situação, quando eu dei por mim, o Asher estava quase caindo do banco que havia sentado de tanto rir da minha cara. Eu já estava rocha... fala sério... eu não merecia isso.
Pelo menos a égua não fugiu em disparada. Com toda a minha vergonha, me levantei, ainda olhando pra cara daquele caipira, rindo de mim, fechei a baia, peguei o meu celular e me dirigi para fora do estábulo.
Estou toda suja e fedida, melhor a fazer é procurar um lugar para me limpar antes de voltar para casa. Fui diretamente para onde lavam os cavalos, não tinha ninguém lá. Então resolvi me dar um banho de roupa e tudo por ali. Quando estava tentando recuperar meu celular, o caipira resolveu aparecer.
-O que você quer? –disse a ele –já não riu demais da minha cara?
-Bom, já ri bastante, afinal foi engraçado.
-Não foi engraçado. –me defendi.
-É claro que foi. Onde já se viu trabalhar em uma fazenda com um celular ligado naquela altura.
Apenas o fuzilei com o olhar.
-Você se machucou?
-Agora isso te interessa?
-Oh, calma ai. Não precisa falar assim. Mas é melhor você voltar, ainda tem muitas baias sem comida.
-Eu não vou voltar. Se quiser você mesmo coloque. –e sai dali o mais rápido que pude em direção a casa.
-Hei, é melhor voltar. Isso aqui não é serviço meu. –ele gritou.
-Pois agora é. –gritei de onde estava.
Que cara mais estúpido. Toda a sua beleza se foi, depois de hoje. Minha cara está lá no chão de vergonha. E ainda por cima vou chegar em casa completamente molhada e ainda estou fedendo estrume. Que coisa!!!!
Corri pro meu quarto e tomei um banho, lavei meu cabelo.
-Que alívio. –disse para mim mesma assim que sai do banheiro.
Estava penteando meus cabelos quando meu pai gritou do andar de baixo.
-Lucy, o almoço já está na mesa.
-Já estou indo. –gritei do meu quarto em resposta.
Ajeitei meus cabelos do melhor jeito que pude, como estava com fome, corri (com descrição claro) para a sala de jantar. Todos já estavam à mesa, com exceção de Tobey que a essa hora ainda estava na escola. Michael estava sentado ao lado de Jasmine, Asher à frente do Michel e uma única cadeira sobrando ao lado dele. Porque eles deixaram apenas essas quatro cadeiras na mesa? Será que eles não se lembram que eu estou aqui?
-Ai está você. –disse meu pai assim que eu me sentei.
Fizemos um agradecimento pela comida, e logo depois todos começaram a comer.
-E como foi a sua manhã? –meu pai se virou para mim.
Pensei no que dizer, não poderia falar sobre o grande king Kong que eu paguei.
-Ahn... foi... bom... digamos que construtivo. –falei e dei uma rápida olhada para Asher, afinal se ele abrisse a boca eu iria dar um chute na perna dele.
-Oh, que bom. Asher deve ter te ajudado no que precisou. O que precisar é só pedir a ele.
Não acredito nissoo... só o meu pai mesmo, aff... eu fugindo desse caipira, e meu pai me mandando procurar ele. Fala sério...
-E você não quer nos contar como foi a manhã? –alfinetou Asher.
Tinha que ser ele, não é??? Esse caipira me paga.
-Bom, depois do café eu fui recolher o ovos, segui para o estábulo. E só... –colocando uma colherada de comida na boca.
-Só isso. Tem certeza que não aconteceu mais nada? –Asher alfinetou mais ainda.
E é claro que eu o fuzilei com o olhar.
-É só isso Asher, não tem mais nada.
O almoço prosseguiu em silêncio. Jasmine e Michael trocaram algumas palavras, mas nada demais. Ao fim do almoço, ajudei Jasmine a retirar a mesa e a lavar a louça, enquanto os homens foram para a sala conversar.
-Mais tarde eu irei buscar o Tobey, não quer ir comigo? Assim pode conhecer a cidade. –disse Jasmine com toda a sua simpatia.
-Bom... eu não sei. –ainda indecisa. –mas acho que é uma boa idéia. –sorri.
Ela sorriu de volta.
-Eu sairei daqui, por volta das 14hs15min. Prefiro chegar mais cedo, enquanto isso podemos ir a comprar algumas coisas para você. Mão é uma boa idéia você gastar os seus tênis aqui na fazenda.
-Tudo bem. –que mulher resiste a uma compra? Além do mais ela tem razão.
-Eu já falei com seu pai e ele acha legal que você faça amizade com as pessoas daqui.
Apenas continuei a escutar Jasmine. E concordei com a cabeça.

CAP.1 - Mudanças!

Voltando para casa, mais um dia se foi... ainda bem que é a minha última semana de aula, estou esperando há séculos por isso... ir para a faculdade. Meu baile de formatura...

Tudo será perfeito!!! Minha mãe também está feliz... pena que não tenho um par para o baile ainda...

Tudo bem, não sou a garota mais popular do colégio nem nada... e muito menos a mais bonita, mas também à quem a populares chamam de perdedoras... ou sei lá o que, mas minha amiga é uma super nerd.

Há semanas estamos planejando como será nosso baile, eu vou estar com um vestido lindo, feito pela minha amiga... ele é branco com bolinhas, tomara-que-caia com uma faixa que passa na cintura... com certeza eu vou ficar linda. E a minha amiga a Kate fez o dela que é preto e super lindo.

Vestido de Lucy


Vestido de Kate



-Semana de prova é um saco. –disse para minha mãe. –ainda bem que amanhã eu faço a última prova.

-Que bom. –ela disse. –amanhã então podemos sair para comer fora. Sabe, para comemorar. Afinal você pode ir embora a qualquer hora para fazer a sua faculdade.

-Mãe... já te disse que não vou deixá-la sozinha. Aqui em Source tem muitos cursos bons.

-Mas, você tem que fazer a sua escolha. Ok? Decidir não o que é melhor para mim, mas para você. Porque como mãe eu apoio as suas escolhas, claro que as sensatas. –ela começou a rir.

-Você ta de brincadeira, não é? Senhora Amélia. –comecei a fazer cócegas nela.

Eu adorava a minha mãe, ela sempre foi tão brincalhona e amorosa... uma pessoa sem igual.

-Vou para o meu quarto. –falei.

-Isso mesmo, e não volte até saber a matéria de cor e salteado. –disse ela entre risada.

-Sabia que eu te amo muito? –beijei minha mãe no rosto. –não sei porque o papai te largou assim. Um mulher tão linda e encantadora. –sorri.

-Assim eu fico constrangida. –disse corando, mas parou e me encarou por alguns segundos tornando a expressão séria. –é melhor você ir estudar. –enquanto ela continuava a lavar a louça.

-OK.

Eu não gosto muito de estudar, mas isso é para a faculdade sabe. Preciso entrar em uma bem legal, de preferência uma aqui em Source que é bem pertinho da minha mãe.



Graças eu estou livre... quase de férias!!! Ainda tem umas aulinhas para marcar presença, mas agora posso me dedicar ao baile. Melhor me dedicar a achar um par para o baile. O Paul até parecia que ia me convidar, mas até agora não falou nada.

Ok.

Caramba, minha casa ta muito quieta. Onde será que a minha mãe foi? Ela já deveria ter voltado. Já ouvi a caixa eletrônica e nada. Talvez ela tenha saído para resolver algo urgente...

Tenho que ligar para a Kate, sabe preciso saber se ela já arrumou algum par.

-E ai, já sabe com quem vai ao baile? –perguntou assim que atendeu.

-Pra falar a verdade ainda não. – respondeu ela. –mas eu sei quem vai te convidar.

-Como assim sabe?

-Bom... digamos que ele me deu uma pista. –ouvi risadinhas... típicas das Kate.

-Fala, fala logo. –estou começando a ficar ansiosa.

-Não, ele me pediu sigilo.

-Como assim sigilo. É melhor você me contar Katherine.

-Não e não.

-Olha que eu apareço ai de surpresa e faço você me contar tudo.

-Tenho certeza que você vai gostar.

-Do que você.... –DIN-DON –aff, a campainha tocou aqui, depois eu te ligo.

-Tudo bem.

“Já vai”, gritei do meu quarto.

Corri logo para abrir a porta já que alguém tocava a campainha desesperadamente.

-Em que posso ajudar? –era um policial, olhei estranhamente já que não me recordo de algo tão grave ter acontecido.

-Senhoria Luccy Watson?

-Sim, sou eu.

-Preciso que me acompanhe. –ele me disse seriamente.

-O que houve? –perguntei.

-Não sabemos ao certo, precisamos de sua ajuda. –ele disse meio agitado. –creio que seja algo sobre a senhora Watson.

-Minha mãe? – ao ouvir isso fiquei pasma, não sabia o que pensar . –só vou pegar o meu casaco.

Ele apenas assentiu com a cabeça.

O policial me levou para a delegacia, onde me fizeram esperar pó algum tempo, até chegar o delegado. Mas quando finalmente falaram... não sei, acho que o meu coração quase parou de bater. Saber daquela forma que minha mãe havia sido atropelada... mas como assim? Isso não pode estar acontecendo.. não comigo, não hoje, logo agora que as coisas estavam começando a se encaixar, o baile, o trabalho da minha mãe, minha ida para a faculdade.... tudo estava encaminhando para um final feliz....

Mas... mas...

E como isso aconteceu? E pra onde eu vou? Não tenho parentes em Source. Eu ainda sou menor de idade... e... bom....

Aquele foi o pior dia da minha vida, e saber que eu não podia fazer nada... tudo aconteceu tão rápido...

Já estava em minha casa, arrumando as coisas... ainda bem que a Kate e sua mãe foram passar algum tempo comigo. Derepente uma visita inesperada, a diretora do abrigo para menores, ela disse que eu seria despejada da casa em menos de uma semana, e pra onde eu iria... disse que por eu ser menor tinha que procurar algum adulto de fosse responsável por mim legalmente. Mas quem?

Ela disse que havia o meu pai. Mas eu nem sei onde ele está... o que ele faz... eu nem o reconheceria se passasse ao seu lado. Ela disse que esse era o único modo para que eu não fosse para o abrigo, mesmo estando prestes a fazer dezoito anos.

-Procuramos saber onde o seu pai se encontrava e, descobrimos que ele mora em Wigam. –tradução: ele mora em algum lugar do meio desse país que é desconhecido por toda a terra.

-Wigam?

-Sim.

-Mas...

-Senhorita Watson, você poderia facilitar as coisas. Acho melhor você ir morar com o seu pai a ficar por aqui e ir morar no abrigo.

-Eu concordo com a senhora Fawn. –disse a mãe da Kate.

-Mas é muito longe. –disse Kate.

-É um fim de mundo. –eu afirmei.

-É isso, ou você... bom sabe que aqui nessa casa você tem apenas mais alguns dias. Já informei ao seu pai de tudo, e ele disse que viria. Mesmo sem saber qual a sua decisão.

-Mas eu nem o conheço...


Dois dias depois e eu estava indo para um lugar chamado Wigam... não teve outro jeito senão isso...

Vou para um lugar estranho, conhecer pessoas estranhas. Durante a viagem trocamos poucas palavras, afinal eu não o conhecia apenas sabia que se chamava Michael. Ele foi bem simpático comigo, mas ainda assim... eu não tinha reação.

De repente entramos em um lugar onde só havia poeira... nenhum asfalto, quilômetros e quilômetros de terra, tinha uma vista muito bonita... mas parecia que estávamos no meio do nada.

-Onde você mora? –perguntei.

-Em uma fazenda. –ele olhou para mim e sorriu.

-Uma fazenda? –perguntei incrédula.

-Sim... onde criamos vacas, cavalos, galinhas.

-Não acredito nisso. Porque não me disse antes?

-Você não me perguntou querida.

-Quer dizer que agora eu estou indo para o meio do nada... –olhei em volta....

-Não está indo para o meio do nada. A fazenda fica muito próxima a Wigam.

-Ok. E nós já estamos chegando? –perguntei.

-Em menos de uma hora e estaremos lá. –ele finalizou.

Caramba, onde eu me meti. Eu to indo morar em uma fazenda... nunca esperei isso na minha vida, já que eu adoro a cidade e tudo o mais.

Assim que chegamos todos os funcionários do Michael estavam nos aguardando. O que foi estranho... sabe qual é o nome da fazenda dele? Watson. Fazenda Watson. Uau... não sabia que minha mãe continuou a usar seu nome de casada. Michael começou a me apresentar para todos os presentes: empregados e até para os animais. Mas o mais estranho foi quando entrei na casa.

-Essa é Jasmine –disse ele se referindo a uma mulher loira que estava sentada na sala e pelo jeito estava a nossa espera.

-Olá –disse ela esticando o mão para me cumprimentar.

-Oi –respondi me esforçando ao máximo para ser simpática.

-E esse é o pequeno Tobey. –disse ele me mostrando um menino que deveria ter por volta dos 5 anos.

-Olá Tobey. –disse.

-Bom, vou te apresentar o seu quarto –disse Michael. –deve estar cansada.

Apenas concordei com a cabeça, afinal uma das coisas que eu mais queria era parar e pensar sobre tudo o que estava acontecendo.

-Bom, é este é um dos quartos que achei mais apropriado para você. –ele disse tentando sorrir. –tem um banheiro ali e a vista do por-do-sol é muita bonita daqui.

-Ahn... obrigada. –disse.

-Aqui estão suas malas. Vou deixá-la a vontade para que arrume seu quarto como quiser.

-Ok.

Esse quarto é enorme... e só pra mim. Ou melhor essa suíte, e o banheiro então... é maior que o meu quarto em Source. Nem dá pra acreditar.