-Acorda, -batidas na porta. –anda! Hoje o dia será cheio, tem muitas coisas pra fazer. –ouvi alguém batendo na porta, -melhor levantar. –com batidas cada vez mais nervosas na porta.
-Cai fora. –gritei antes de puxar o edredom pra cima do meu rosto a fim de tampar o sol.
-Tem muitas coisas para se fazer hoje, melhor você sair desse quarto. –ainda batendo na porta.
-Asher seu idiota, cai fora daqui, eu ainda estou com sono. –gritei novamente.
-Não me faça entrar ai.
-Você não teria coragem. Então vaza daqui. –gritei novamente, tentando fechar os olhos.
Derrepente a porta se abriu, então eu me desembrulhei meio que assustada, lá estava Asher se aproximando de mim.
-O que você ta fazendo aqui garoto?
-Vim te acordar, já está na hora.
-É melhor sair daqui, ou eu vou gritar.
-Pode gritar, só não sei se vai adiantar alguma coisa. O Michael saiu com a Jasmine, Tobey está no colégio, Rachel pediu uma folga hoje, e os outros empregados estão longe o quanto possa pensar daqui. –disse ele vitorioso.
-Mentiroso, ta jogando verde pra colher maduro.
-É melhor se levantar, ou eu vou tirar você desse quarto de qualquer jeito.
-Olha, eu estou morrendo de sono, não vou me levantar agora. E é melhor sair do meu quarto. –gritei com Asher e puxei o edredom para me cobrir novamente.
Mas acho que esse foi o meu erro, derrepente me senti suspensa no ar, isso com meu edredom e tudo o mais.
-Asher seu imbecil, me coloca no chão.
-Eu disse que ia te tirar desse quarto de qualquer jeito. –saindo do quarto.
-Me solta –comecei a bater nas costas dele e logo o edredom caiu no chão, mostrando o meu pijama...
Ele não respondeu nada, apenas continuou me levando para fora de casa.
-Eu te odeio garoto!
Asher me levou até a baia onde ficava Suerte, onde me largou no chão.
-Te odeio garoto. Porque você fez isso comigo seu imbecil!
Ele ficou me olhando e fazenda uma cara super cínica que só ele conseguia fazer.
-Eu te trouxe para ver a Suerte, devia me agradecer por isso.
-Suerte? –perguntei.
-Sim, Suerte. –me indicou para que eu virasse.
Me virei e lá estava ela, estava suspensa para que sua pata não tocasse o chão.
-Oh, Suerte, olha só você. Como está menina? –comecei a alisar seu pêlo.
-Não precisa me agradecer. –disse Asher, então o fuzilei com o olhar. –o veterinário disse que em um mês ela estará melhor. –se aproximando de mim, já que estava encostada na baia.
-Oh... está vendo querida? Logo, logo estará melhor. –conversando com a égua.
-Quanto tempo tem esse pijama? –perguntou Asher.
-Não é da sua conta. –respondi.
-Pijama da pequena sereia? –começou a rir da minha cara e retribui com um olhar nada amigável.
-Olha só, o pijama é meu ta? Melhor você sossegar garoto.
-Isso porque vai fazer 18 anos. –ainda rindo de mim.
-E quantos anos você tem pra falar de mim?
-Tenho 18 anos completos. –ele ta parecendo uma criança falando assim comigo.
-Grandes coisas. –me virei em direção à porta do estábulo.
-Aonde você vai?
-Voltar para a minha cama. –respondi.
-Você tem muito trabalho aqui hoje, melhor começar.
-Nem morta. E além do mais a qualquer hora pode aparecer algum empregado e eu não estou vestida apropriadamente.
-Pra mim você está. Acho que eles também não se importariam.
Eu mato esse garoto, corri para dar uma nele, tentei agarrar a garganta dele, mas... aff... isso é o que eu tenho mais raiva nos homens, ele conseguiu me imobilizar antes de minhas mãos triscarem em sua garganta.
-Você me paga Asher, você me paga. –tentando me livrar dele.
-Que é isso priminha? Porque toda essa raiva?
-Simplesmente porque eu estou aqui no meio do nada, com um caipira como você. Me solta, anda...
-E se eu não quiser?
-Ahn... Asher me solta, você ta me machucando.
-Como vou acreditar em você?
-Não ta vendo que ta ficando vermelho?
-Tudo bem. –assim que ele me soltou, dei um tapa forte na cara dele e sai correndo.
Ele demorou cair a ficha do que eu tinha feito, e quando caiu ele veio correndo atrás de mim. Quando ele conseguiu me alcançar eu já havia entrado no meu quarto e fechado a porta, e é claro que desta vez me lembrei de trancá-la.
-Agora vem me pegar Asher. –falei de dentro do quarto.
-Abre essa porta, -pediu ele. –anda.
-Não mesmo, é melhor cair fora.
-É melhor você se apressar.
-Não mesmo. Eu só saio daqui quando eu quiser.
-Se você demorar mais que vinte minutos, eu irei escalar até a sua janela e te arrasto daí novamente, entendeu?
-Você mais parece um brutamonte que um garoto. E nem pense em escalar até a minha janela.
-Eu não estou para brincadeira. –e a voz dele bem dizia isso.
Tomei um banho para me despertar ainda mais. Vesti algo confortável e sai do quarto, entrei na cozinha para tomar o meu café, e lá estava o Asher me esperando.
-Bom você não ter demorado, já estava planejando subir até o seu quarto.
-Caipira.
-Hoje você não terá café da manhã, está se comportando muito mal.
-Que? Você ta doido?
-Não, não estou doido. Mas olha que horas são. Já passam das 10h, está quase na hora do almoço.
-Mas eu estou com fome. –olhei nervosa para ele que deu de ombros.
-É melhor vir comigo. –saindo pela porta da cozinha.
-Não, sem ao menos pegar pelos menos um biscoito. –sussurrei para mim mesma, enquanto tentava pegar um pote em cima do armário.
-Você não vai desistir, é?
-Estou com fome, -subindo em uma cadeira. – e pelo menos um biscoito eu vou comer.
Tamanha foi minha surpresa quando ele ser aproximou de mim, pensei que fosse me derrubar da cadeira, mas ao invés disso ele pegou o pote e me entregou.
-Mas é melhor andar logo.
-Antipático –sussurrei para mim mesma, assim que ele se afastou de mim.
Comi alguns biscoitos e tomei um copo de leite o mais rápido que pude, porque alguém ficava me apressando. Fala sério...
-Vamos... –disse ele sem um pingo de paciência e tomando o pote de biscoitos da minha mão –pra quem falou que era apenas um, já passou do limite.
Garoto abusado...
E lá se foi mais um dia de pura canseira na fazenda, limpei as baias e dei o que comer para os cavalos, e por último Suerte, não podia fazer muita coisa, a não ser tentar colocar a comida de forma mais elevada para ela.
Desde o dia em que cheguei na fazenda percebi que Suerte era diferente, não era igual aos outros, não sabia o que a diferenciava... mas... talvez fosse pela sua cor, branca já que haviam poucos cavalos dessa cor na fazenda. Quer dizer o Michael me ensinou que é tordilho. Fiquei olhando para ela durante algum tempo...
-Melhor andar logo. –ele não cansa de ser rabugento não?
Apenas fuzilei ele com o olhar. E segui para guardar as coisas. Foi um dia bem cansativo, todas essas tarefas que o Michael passou pra mim... aff... queria voltar pra minha cama.
Sabe o que mais me irrita no Asher, essa dele querer ser mandão e fazer tudo só do jeito dele... quem ele acha que é? É melhor ele parar com isso, to ficando mais irritada que o normal.
Fala sério... a porta ta trancada e eu não posso ir ver as estrelas no mesmo lugar de sempre, tenho que procurar um lugar aqui dentro dessa casa em que eu possa observá-las.
Depois de tanto procurar, até que enfim... uma varanda na qual da pra ver as montanhas e o céu estrelado. Uma vista de tirar o fôlego, se eu tivesse uma câmera que captasse essa imagem... seria a mais bela de todas...
-O que você ta fazendo aqui? –ouvi uma voz atrás de mim, quase pulei de onde havia sentado, tamanho foi o meu susto.
-Pai?! –exclamei em tom de pergunta assustada.
-O que você ta fazendo aqui? Não vê que está frio? –ele falou se aproximando de mim.
-Ahn... nem estava sentindo frio. Mas o que VOCÊ, ta fazendo aqui?
-Eu? –fiz que sim com a cabeça, -vim observar as estrelas, me distrair um pouco. –disse ele meio que sério.
-Ahn...
-E você? Ainda não me disse.
-Bom... eu também vim ver as estrelas. –sorri.
-Posso me sentar?-perguntou ele.
-Claro. –sorri.
-É muito diferente do céu da cidade, não acha?
-Muito diferente, aqui da pra ver muitas estrelas, das mais variadas.
-Você gosta muito de estrelas não é?
-Um pouco, porque?
-Porque nesses últimos dias, sempre te vejo as observando.
-É que elas me lembram boas coisas.
-E, eu posso saber que coisas boas?
-Me lembro da mamãe, da minha vida antes, dos meus amigos, do colegial.
-Ahn...
-Sem ofensas, é que bom... não me entenda mal, não é que eu não esteja gostando daqui, apenas que como eu passei toda a minha vida lá, mudar agora foi uma reviravolta inesperada. Entende?
-É, eu entendo. –disse ele sem graça.
-Me desculpe... talvez não devesse ter falado dessa maneira.
-Não se desculpe querida, você apenas falou a verdade.
Sorri timidamente.
-E como foi o seu dia hoje? –perguntei.
-Um pouco corrido. Fui a casa dos Black, mas não consegui fechar negócio.
-E sobre o que era o negócio?
-Queria vender a eles alguns animais, algumas vacas e cavalos.
-Oh...
-Mas, ele disse que já tinha comprado de um fazendeiro que veio de outra região e que as vacas era melhores que as minhas. –sem graça novamente.
-Nossa... –pensei totalmente sem graça.
-Eu já estou acostumado, isso acontece.
Não pude acreditar nas palavras dele.
Ficamos por um tempo só a observar as estrelas. Na verdade essa foi a primeira vez que fiquei tão próxima do meu pai. Era como se realmente começasse a fazer sentido que éramos pai e filha.
-Asher já te ensinou a montar a cavalo? –perguntou.
-Ainda não... ele só fica me dando ordens de faz isso, faz aquilo.. aff.
Caímos na risada juntos.
-Desculpe se te faço trabalhar, mas é que assim você pode interagir de alguma forma com a fazenda. Queria te mostrar que aqui não é tão ruim como você pensa.
-Mas... nunca achei aqui tão ruim assim. –sorrindo para ele. –já até fiz amizade.
-Um avanço, e posso saber com quem?
- Olive Nicholls.
-É uma boa companhia, garota de família. Participa de algumas competições aqui. Fico feliz. –sorrindo pra mim.
-Que bom.
-Bom, já está tarde. Acho melhor voltarmos pra cama, não? Sem contar que aqui ta frio. –falou meu pai.
-É... –me levantando e seguindo para dentro da casa. –Boa noite, Michael.
-Quando irá me chamar de pai?
-Tenho certeza que quando você menos esperar. –sussurrei seguindo para o meu quarto.
-Bom dia.
“Essa não, de novo!!!” –pensei comigo mesma ao ouvir uma voz.
-Vamos, já está na hora de acordar. –dessa vez eu nem fiz questão de abrir os olhos. Aff... será que esse Asher não cai na real?
-Lucy, acordaaaa... –uma vozinha fina falou.
Então retirei o edredom da cara e lá estava Tobey com um sorriso enorme estampado e junto a ele Asher.
-Não me olhe assim, não é minha culpa. Ele disse que queria que você também fosse para o piquinique. –tentando se explicar.
-Vamos Luh. –disse Tobey daquele jeitinho todo meigo dele e sentando na cama.
-Mas... aonde você vão? –perguntei.
-Vamos lá perto do rio. –disse ele agora sentando no meu colo. –vamos, por favor!?? Hein???
-Mas...
-Por favooooorrr...
Olhei para aquela carinha, e não tinha como resistir. Tobey era muito meigo e fofo. Então parei, respirei fundo e respondi a ele:
-Tudo bem. –não acredito, ele saiu pulando pelo quarto de alegria.
-Mas temos que ir logo, mamãe não quer que voltemos muito tarde.
-Tudo bem, apenas vou tirar um cochilo de mais cinco minutinhos e já vou, tentando deitar novamente.
-Não Luh, se não você vai demorar. É melhor se levantar logo.
Então o mais inesperado aconteceu comigo, Tobey não sei como, puxou meu edredom e saiu correndo casa a fora, e logo hoje que eu estava com meu baby doll rosinha claro. E aquele idiota do Asher lá parado.
-Tobey, como você pode fazer isso. –me levantei da cama o mais rápido que pude e corri em direção ao Asher. –é melhor você sair daqui.
Mas aquele idiota ficou me encarando.
-Asher, eu to falando com você, vaza daqui agora. –indo pra cima dele pra tentar quebrar a cara dele. – o que você ta olhando???
-Nada. –com um sorriso esquisito na boca.
-Então o que ta esperando?
-Bela camisola priminha. –disse ele agora sorrindo de vez.
Fiquei de boca aberta, não creio no que acabei de ouvir, eu acabo com esse garoto. Ele espera por ver.
-É melhor se apressar. –disse Asher na porta. –Tobey não vai esperar muito.
Ele saiu e fechou a porta atrás de si. Não acredito no que esse caipira acabou de dizer... aff... eu não mereço isso. Tomei um banho e fui a procura de uma roupa confortável, logo encontrei uma batinha que eu sempre adorei, ela é xadrez, e vesti uma calça com minha incrível bota de cano curto (é só uma forma de carinhosa de falar da minha botinha meio surrada). Amarrei meu cabelo num rabo de cavalo mais baixo, peguei meu celular e fui em direção a sala. Lá estava Tobey deitado no sofá e embrulhado com o meu edredom.
-Até que enfim. –disse assim que me viu. –Vamos?
-Vou comer algo e já vamos, e é bom o senhorzinho ir colocar esse edredom no meu quarto novamente.
-Oh Lucy, -disse Jasmine assim que entrei na cozinha. –me desculpe pelo Tobey, as vezes ele é meio impulsivo. –sem graça.
-Não tem problema Jasmine, ele é apenas uma criança. –esbocei um sorriso.
-E você vai com eles?
-Vou, Tobey não aceitaria um não como resposta. –rimos juntas.
-Tobey os cavalos estão selados. –gritou Asher invadindo a cozinha. -Já está pronta?
-Sim. –enquanto pegava alguns biscoitos para comer.
-E vai entrar no rio assim, de roupa e tudo?
-Como assim entrar no rio? Ninguém me falou dessa parte.
-Pois agora já está sabendo.
-Aff...
-Onde você colocou os cavalos Ash? –Tobey entrou correndo na cozinha.
- Estão perto da mangueira. –respondeu e em menos de um segundo Tobey já não estava mais na cozinha.
-E que cavalo? Como assim? –estou ficando por fora dos assuntos aqui, isso não ta dando certo.
-Você não achou que iríamos de carro, não é? Esse caminho só da pra passar a pé ou a cavalo.
-O que? Mas ...
-Você não sabe andar a cavalo? É... era de se esperar. Mas eu já dei um jeito. –dando uma de sabichão.
-E posso saber qual foi o jeito?
-Bom, você vai no cavalo comigo. Até aprender andar é melhor que não vá montando qualquer um assim.
-Eu não vou com você.
-Ou você vai comigo, ou vai com o pequeno Tobey no seu pônei.
Um pônei? Melhor não... estou pensando seriamente na proposta de ir a pé.
-Ok. -bufei – mas eu vou na sela.
-Também não é uma boa opção, afinal você nem sabe controlar um cavalo.
-Tenho certeza de que seja fácil, é só você me ensinar rapidamente. –Asher estreitou os olhos ainda me encarando.
-Vamos ver.
-Lucy, -chamou Jasmine – vou deixar com você essa bolsa, aqui tem toalhas. Querida acho melhor você trocar de roupa de se quiser entrar no rio. E vou deixar a cesta aqui em cima da mesa.
Mas que roupa eu visto? Esse povo aqui é tudo contra mim. Acabei de comer uns biscoitos e voltei para o meu quarto, a fim de achar uma outra roupa. Peguei um shorts que achei, não muito curto e continuei com a mesma blusa, na verdade vesti um que dava para tomar banho com ela por baixo.
-Assim ta melhor? –perguntei ao Asher na porta de casa.
-Acho que vai se sentir melhor assim. –foi o que ele respondeu.
Peguei a bolsa com toalhas e a cesta em cima da mesa. Encontramos com Tobey já passeando com o seu pequeno (e bota pequeno nisso) pônei pela propriedade.
-Você vai realmente na sela?
-Claro. –respondi.
-Por mais que eu esteja atrás de você, melhor de treinar para alguns comandos. Vem aqui. –me aproximei do cavalo –deixe as coisas ai no chão.
Fiz o que ele falou.
-Ele ainda está amarrado, vou te colocar na sela, primeiro coloque seu pé aqui –disse ele me mostrando onde encaixar o pé. –agora segure na cabeça da sela, no três eu vou te levantar, daí você passa a perna pro outro lado e se equilibra em cima dele. Ok?
-Tudo bem.
-Então no três, um... dois... três... –ele praticamente me jogou em cima do cavalo –isso ai. Vou soltá-lo, você deve segurar as rédeas com segurança, não demonstre ao cavalo que está com medo, ele pode sentir isso.
-Tudo bem. –estava um pouco nervosa, já que na hora que o cavalo se movimentasse eu poderia perder o equilíbrio e cair.
-Se quiser pode se segurar aqui na cabeça, talvez assim fique mais equilibrada. –Asher está sendo simpático... isso é uma coisa meio estranha. –tente conduzi-lo atrás de mim, vire ele para onde eu for.
-E como faço isso?
-É só você puxar as rédeas para o lado que quer.
-E como faço para pará-lo?
-Puxe com firmeza as rédeas e em direção a sela.
-Tudo bem.
-Vamos. –ele começou a andar e eu tentei fazer com que o cavalo seguisse todos os seus movimentos. No inicio estava com medo de cair, mas depois fui me acostumando e consegui me equilibrar.
-Bom, ao menos você consegue conduzir um cavalo. –ele falou.
-Idiota.
-Acho melhor irmos, Tobey já deve estar sem paciência. –puxando o cavalo novamente para perto da mangueira. –agora você podia segurar essa bolsa, e o Tobey já pegou a cesta. –de repente ele deu um blusa e eu quase cai do cavalo com ele tentando se equilibrar em cima dele.
-Garoto, você quase me derrubou. –mas ele sorriu de uma forma que eu pude escutar.
-Já te ensinei a segurar na sela. Assim é mais fácil de você não se desequilibrar.
-Bom, eu vou comandar o cavalo até a saída da fazenda, só pra não correr o risco dele querer voltar.
-Ok.
-Tobey já deve estar vindo buscar a cesta.
Foi uma sensação meio que estranha, Asher atrás de mim, na verdade ele quase que me expulsou da sela, já que cabia duas pessoas, de forma apertada, mas cabia. Então Asher passou as mãos por mim, seria mais cômodo se cada um estivesse num cavalo, mas como ainda sou leiga com isso, melhor deixar quieto né?
-Ash, eu vou na frente, ok? O Veloz (se referindo ao cavalo) vai ter que ir mais devagar já que ta carregando vocês dois.
-Sim, mas vê se não some, e se chegar no rio antes de nós é melhor não entrar. Você sabe as regras.
-Tudo bem.
Fiquei impressionada com Tobey, ele tinha mal mal cinco anos e já sabia andar a cavalo como gente grande, e eu tinha que ir junto com outra pessoa por não saber nem subir num.
-Desde quando ele anda a cavalo? –perguntei.
-Desde que nasceu. –fiquei de queixo caído.
Nossa...
-Ele é um bom cavaleiro, sabe se equilibrar, tem postura em cima desse pônei. –sorrindo. –Acho que já está na hora de você levar o cavalo.
-Ok. –tremendo.
-Você está tremendo?
-Não... é que...
-Não me diga que está com medo de comandar o cavalo, olha eu estou aqui atrás de você. Você não vai cair, pode ficar tranqüila quanto a isso. –falou ao pé do meu ouvido.
Me senti mais segura, mas ainda um pouco nervosa.
-Vamos. –disse segurando em minha mão e me ajudando a conduzir. –posso te fazer uma pergunta?
-Sobre o que?
-Você já andou de cavalo?
-Ahn... acho que minhas habilidades respondem por mim.
Rimos juntos... acho que era a primeira vez desde que eu cheguei aqui que isso acontecia.
-É... mas com o tempo você vai perceber que é melhor do que andar de carro. –ele falou.
-Será?
De repente o cavalo deu um tropeço pra frente fazendo com que nós fossemos pra frente rapidamente e me entortando na sela.
-Está bem?
-Sim. –falei sem graça, já que para que eu não caísse Asher me segurou pela cintura, como se me prendesse junto a ele.
Andamos assim por um tempo, com Asher me segurando e me dizendo para onde virar o cavalo, e como estava super sem graça, tentei não fazer movimentos bruscos.
-Olha lá o Tobey. –disse.
-Não acredito, o que o Gomez está caçando por aqui? –falou Asher em um tom meio nervoso.
-Quem é Gomez? –perguntei sem entender.
-Gomez, é aquele branquelo azedo que está parado próximo do Tobey. Deve ter vindo aqui só para encher o saco. Vamos acelerar o cavalo. –tomando as rédeas de mim e num piscar de olhos o cavalo parou em frente a esse tal de Gomez.
-O que quer aqui Gomez? –perguntou Asher assim que desceu do cavalo.
-Vim me refrescar um pouco.
-Essa deve ser a resposta errada, e o que você estava fazendo com a cesta do Tobey?
-Só estava procurando algumas coisinhas gostosas feita pela sua madrasta. –ironizou o dito cujo.
-Melhor sair daqui. –gritou Asher –você e seus amiguinhos.
-E quem é a gatinha em cima do cavalo? –eu hein... sai pra lá garoto, menino mais feio olhando pra mim.
-Ninguém da sua conta.
-Pra mim é muito interessante.
-Respeito com ela seu idiota. –depois de dizer isso Asher já partiu pra cima do garoto, dando-lhe um soco na cara e o derrubando no chão. –melhor não se meter com esses dois, ouviu?
Estava estranhamente assustada com o que estava acontecendo e principalmente com a reação de Asher.
-Melhor vocês caírem fora daqui, ou da próxima chamo a polícia. –mas depois de dizer isso, Asher levou um soco na cara e outro na barriga, e os garotos saíram, o deixando caído no chão.
-O meu Deus!!! Asher. –tentando descer do cavalo que até pra isso eu apanhava, quando finalmente desci Tobey estava a procura de gelo na cesta que Jasmine havia feito. –você está bem? –perguntei, mas é óbvio que ele não estava. Sua boca sangrava e ele tinha as mãos na barriga.
Tive sucesso ao tentar levantá-lo e o levei para um pedra próxima ao rio, onde nos sentamos.
-Não precisava chegar a esse ponto, agora você ganhou um olho roxo, uma dor no abdome e um lábio cortado. –comentei.
-Mas esses imbecis estavam mechendo com vocês, tomaram a cesta do Tobey. O que queria que eu fizesse.
-Os ignorasse. –olhei preocupada com ele. –e agora?
Tobey apareceu com alguns gelos que tinham dentro da jarrinha com suco.
-Esse gelo ta todo melado.
-Se contente, pois é o único que temos. –falei. -Tobey, você pode amarrar os cavalo? –perguntei.
-Claro.
-Hoje o dia está quente não? –perguntou ele.
-É. –colocando o gelo no olho dele.
-Podiamos aproveitar a água. –falou ele.
-Com você desse jeito?
-Sim, -sorriu ele cinicamente. –viemos aqui para curtir o rio.
Olhei para ele com cara de preocupada, e ele até parecia uma criança querendo brincar.
-Melhor colocar o gelo no olho primeiro.
-Não creio que seja uma idéia tão boa assim, vai ficar roxo de qualquer forma.
-Mas isso vai diminuir o inchaço.
-Acho que já ta bom. –disse ele jogando o gelo fora.
-Você ta ciente que aquele era o único gelo que tínhamos?
-Não vamos precisar deles. –disse tirando a blusa.
-Garoto. –disse em tom de reclamação.
-Hei, Tobey vamos nadar? –fiquei os encarando com cara de assustada. Como esse garoto podia fazer uma coisa dessas comigo? Agora ele ta tirando as calças... não acredito.
-Fique tranqüila eu estou com o meu calção de banho por baixo.
Em menos de um minuto e lá estavam Tobey e Asher dentro d’água, pularam de uma ponte que havia ali perto jogando água para todos os lados.
-Luh, você não vai vir? –perguntou Tobey.
-Daqui a pouco –respondi os observando.
-Porque não agora? –perguntou Asher.
Apenas sacudi a cabeça. Então vi os dois cochichando, quando me distrai grande foi o susto que levei, Asher me pegou no colo e ele estava todo molhado.
-Hei garoto me colocar no chão. –comecei a espernear no colo dele.
-Não vou soltar. –com um sorriso vitorioso.
-Anda me solta... –ele estava indo em direção a ponte. –Asher, você não vai fazer o que eu to pensando, vai?
-Fique calma, não vou fazer o que você ta pensando.
-Mas...
-Vou fazer outra coisa. –disse ao parar na parte mais alta de uma pedra depois da ponta.
-O que vai fazer? –estava assustada.
-Você já vai ver.
-Asheeerrr.... –gritei assim que ele pulou... eu mato esse garoto, ele não me jogou no rio, mas pulou juntamente comigo... fala sério, minha blusa. Assim que caímos na água, ele não me soltou mas continuou me segurando de forma de ele me levou para a superfície.
-Como você pôde fazer uma coisa dessas? –perguntei assim que tomei fôlego.
-Foi para o seu bem, só pra se refrescar. –falou sorrindo de uma forma, um tanto diferente e ele continuou me encarando, enquanto me segurava em seu colo.
-Não seria melhor se me soltasse?
-Você sabe nadar?
-Isso eu sei. –rindo. Mas eu senti algo em minhas pernas, olhei para ver o que era, mas não dava pra reconhecer, assustada dei um grito e pulei novamente no colo do Asher.
-O que foi? –perguntou ele assustado.
-Não sentiu nada em suas pernas?
-Não.
-Buh... –disse Tobey, dando o maior susto.
-Não acredito nisso Tobey. –falei descendo rapidamente do colo de Asher.
Caímos na risada, claro que eu estava super sem graça devo ter ficado vermelha... sem comentários.
-Este rio tem umas partes claras e outras escuras, aqui não dá realmente para reconhecer nada que se passa em nossas pernas, mas depois da ponte é como se fosse uma piscina. – comentou Tobey.
-Vamos lá mostrar a ela Tobey.
-Vocês bem que podiam me esperar tirar essa blusa. –falei antes que se movessem, corri até a beira do rio, debaixo da árvore onde estavam os cavalos Tobey havia forrado a mesa com uma toalha e colocado a cesta e os pertences por lá. Tirei a blusa xadrez e fiquei com a preta que estava por baixo.
-Vem Luh, vamos logo. –gritou Tobey dentro d’água. –pula da ponte.
Pular da ponte??? Essa é boa, melhor não se não vou cair e .. aff, quer saber de uma, eu vou experimentar. Corri para cima da ponte, me ajeitei e dei um grande salto para dentro do rio.
Foi um dia muito bom, nos divertimos a beça, o rio era um bom lugar para se distrair. O piquinique foi tranqüilo, sem contar que o Gomez havia pego algumas coisas da cesta, mas nada que fez falta.
Na hora de voltar para casa, foi praticamente o mesmo processo, eu subi no cavalo e Asher subiu logo depois e não sei como ele está conseguindo se manter, acho que é só pra se fazer de forte, já que tenho certeza que ele ainda está sentindo uma dor no estômago. Conduzi o cavalo e Tobey correu na frente com o seu pônei.
-Sei que você ainda sente dores. –falei com Asher.
-Não, não sinto.
-Impossível, foi um golpe muito forte, não precisa fazer essa pose. –comentei – seu olho vai ficar roxo por um bom tempo, e quando seu sangue esfriar seu corpo doerá de forma mais forte.
-Sei disso.
-Então porque a pose?
-Não queria me fazer de fraco na frente do Tobey.
-Mas ele nunca vai te achar um fraco. –respondi.
Ele apenas suspirou alto.
-Quando eu respiro sinto algumas dores.
-Se você tivesse ficado quieto por alguns minutos, talvez estaria melhor.
-Hum... você está se preocupando comigo. –disse ele de forma convencida.
-Eu não. Só... só...
-Estava se preocupando. –rindo dessa vez.
-É só que...
-O que?
-Bom... você defendeu a mim e ao Tobey, tinha que retribuir de alguma forma. –claro que falei e isso e depois corei.
Mas eu senti algo quente perto do meu ouvido, era a respiração de Asher e sentir o sorriso que ele dava, claro que ele é muito convencido... aff...
Chegamos em casa, e assim que Rachel viu Asher com o olho daquela altura quis saber o que havia ocorrido, já que Tobey entrara na fazenda e fora direto para a arena treinar brincar com seu pônei.
-Não foi nada demais Rachel, apenas aquele fracassado do Gomez, enchendo o saco outra vez.
-Meu filho, quantas vezes eu já disse para não brigar com ele. Sabe como ele é. –retrucou ela preocupada.
-Mas... você já viu as atitudes dele, quando o encontrei estava querendo tomar a cesta do Tobey.
Ela apenas o encarava preocupada.
-Mas foi apenas isso, então melhor você ficar calma.
-Mas você está bem, não está sentindo nenhuma dor? Vem, vamos entrar para que eu possa cuidar desse seu olho. –disse Rachel de uma só vez.
Segui os dois para dentro de casa, onde pararam na cozinha. Sentei-me ao lado de Asher, enquanto Rachel pegava algum gelo na geladeira.
-Ela se preocupa demais. –sussurrou ele.
-E não é pra menos. –concordava com Rachel, já que ele podia ter evitado isso.
-E você também. –retrucou ele fazendo cara feia.
-Aqui, ponha esse gelo nos seu olho, mesmo que já faça algum tempo vai ajudar. Vou te preparar a receita secreta da minha família. Tira qualquer inchaço ou dor que venha sentir.
-E também tira o roxo?
-Essa receita não é como mágica, ela vai ajudar a melhorar aos poucos, é mais como estimular seu organismo a agir de forma mais rápida. –disse ela.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
CAP. 4 - Na casa de Liv!
Asher e Michael chegaram em casa, já bem tarde da noite, eu os aguardava na sala e tomei um baita susto quando chegaram.
-Você ainda não foi dormir? –perguntou Michel assim que me viu de pé.
-Estava esperando por vocês, quero saber como está a Suerte. O que disse o veterinário?
-Bom...acho ela vai que ela vai ficar bem. Vai ser um pouco sofrido pra ela, mas acho que ela resistirá. Será um risco que iremos correr.
-De qualquer forma, será algo muito arriscado. –disse Asher, que havia se mantido calado até o momento. –afinal, é um animal para enduro. Se não voltar a andar, vai ser difícil pra ela.
-Infelizmente. –disse Michael.
-Como assim? –perguntei sem entender.
-Lucy, um cavalo precisa de quatro patas pra andar. Se ela tiver três, não vai adiantar de nada. Ela não poderá ficar deitada pra sempre. –disse Michael.
-Oh! –exclamei. Isso era muito mais injusto do que eu pensava. Mas como Suerte havia quebrado a pata? O que havia acontecido?
-É melhor ir se deitar. –disse Asher. –amanhã será a operação.
-Boa noite pra vocês. –disse Michael, passando por mim e me dando um beijo na testa.
Michael subiu as escadas e desapareceu, e eu ainda estava imóvel. Asher me olhando com uma cara de quem estava extremamente preocupado.
-Boa noite. –foi tudo o que eu disse, e subi as escadas.
Pela manhã, a casa estava agitada... não entendi o porque. Segui até a cozinha para tomar café e como de costume todo mundo já tinha feito isso. Lá encontrei com Rachel e pela porta vi Jasmine correndo para acabar de arrumar as coisas do Tobey.
Tomei o meu café rapidinho e fui para o galinheiro, Rachel precisava de alguns ovos para preparar uma torta. Vi que Michael e Asher estavam saindo no trailer, deviam estar indo para o veterinário. Recolhi os ovos e os entreguei a Ray.
Resolvi ‘explorar’ a fazenda, então vi algo que me chamou atenção, um cercado com alguns cavalos com pelagens exóticas. Era algo interessante, então me aproximei e subi na cerca, onde sentei para observá-los.
-O que está fazendo aqui? –quase cai da cerca, pois não tinha visto ninguém ali por perto, e derrepente essa garota aparece aqui do nada.
-Oh. –olhei ainda assustada, era a garota que eu conheci na loja de sapatos, como é mesmo o nome dela? Lully, Lesly, oh... já sei Liv. Ei mas esse é o apelido. –Liv? –tentei afirmar, mas mais saiu como uma pergunta.
-Você não lembra o meu nome né? –afirmei com a cabeça.
-Apenas lembro que ter me falado Liv.
-Esse é o meu apelido, mas pode me chamar assim. Meu nome mesmo é Olive. Lembra agora?
-Oh... claro.
-E você é a Lucy.
-Isso.
-Que fazia aqui? Parecia tão concentrada em algo.
-Ahn... na verdade eu estava apenas observando os cavalos, são muito bonitos, e tem essa cor...
-Oh, vejo que você não sabe nada sobre cavalos. –olhei confusa para ela, mas o que realmente a gente precisa saber? Que eles tem quatro patas, se alimentam e podemos montar neles. – esses são da raça appaloosa.
-Appa... o que? –perguntei.
-Appaloosa. Eles geralmente tem a parte de trás em outra tonalidade, você vê aquele, parece um dálmata.
-Concerteza –ri. –mas é muito bonito.
-Também admiro muito esse animais. Só que eu prefiro o árabe.
-Ahn...
-Você já viu um árabe! –ela afirmou.
-Já? –confusa.
-Sim, a égua que está machucada.
-Como sabe que a Suerte está machucada?
-Hellooo!!! Wigam não é igual ao Source, aqui as notícias correm rápido. –ela disse.
-Sei...
-E para o seu governo, você é a atração aqui da cidade, quase ninguém te conhece aqui ainda. Você raramente sai de casa. E dos poucos relatos que eu tive, o máximo que te viram foi na porta do colégio onde Tobey estuda. –ela disse.
-Ow... não sabia que eu era a ‘atração’ daqui.
-Como não? Você é nova por aqui, cidade pequena é assim.
Apenas olhei assustada para ela.
-Você vai na quermesse, certo?
-Que quermesse?
-No próximo final de semana. A quermesse do verão.
-Não estava sabendo de nada, mas se eles forem eu também terei que ir.
-Ótimo, porque poderei te apresentar para muitas pessoas.
-Me apresentar? Mas...
-Lucy, vai ser bom para você. Não vai querer ficar o tempo todo aqui sozinha.
-Tudo bem. Acho que vai ser uma boa idéia. –assim eu não vou ficar dependendo do Asher para tudo.
-Bom, eu vim aqui só pra ter ver mesmo. Depois aparece lá na minha casa.
-Tudo bem, mas aonde você mora? –perguntei.
-O Asher sabe, é um pouco longe daqui... mas lá é bem legal.
-Ok.
-Já vou indo. Até mais. –saindo correndo em direção ao carro dela, e não era qualquer carro...
Ta... Lucy!!! Voltando pra realidade, acho que sair com Liv vai ser bom, vou me tornar mais independente do Asher. Uma notícia maravilhosa, mas ela disse que a casa dela é longe daqui... como eu vou chegar lá? Nem tenho um carro.
Aff...
Na hora do almoço, Michael e Asher finalmente apareceram e comentaram que o veterinário dava boas noticias sobre a Suerte, que não havia sido nada tão grave quanto todos estavam pensando e que ela logo poderia voltar a andar.
Bem que eu poderia ter adivinhado, já que esse dois chegaram muito sorridentes para o almoço.
-Vocês podem buscar o Tobey pra mim? –perguntou Jasmine, olhando para os garotos.
-Bom, eu vou passar lá no veterinário. Você pode pegá-lo Asher? –perguntou Michael.
-Claro. –continuou a comer.
-Lucy, eu vou a uma reunião das confeiteiras de Wigam, você não gostaria de vir? As pessoas por aqui estão doidas para te conhecer. –disse Jasmine.
-Ahn... acho que vai ser uma boa. –sorri.
Todos terminamos o almoço em silêncio. Fui para o meu quarto me arrumar, queria estar apresentável, não quero passar vergonha. Tomei meu banho, escovei minha franja e deixei o resto do cabelo secar naturalmente, coloquei minha calça skinny e uma blusa xadrez por cima, uma que meu pai havia me dado assim que vim pra cá, juntamente com um cinto lindo... ele até que tem bom gosto. E bom... eu coloquei uma sapatilha, acho melhor deixar minha bota para estrear no dia da quermesse. Até que eu estava bonitinha.
Assim que desci, vi que Asher e Michael ainda não haviam saído, mas Jasmine estava na cozinha, acabando de confeitar uns doces.
-Uau!! Vejo que esta blusa caiu muito bem em você! –sorriu.
-Também gostei muito dela.
-O Michael tem bom gosto. –disse sorrindo. –eu vou acabar de confeitar esses daqui e nós já vamos. Ok?
Assenti com a cabeça.
-Aceita um? –ela perguntou. –é bom que você me diz se gostou.
-Ok. –peguei um doce, e foi o melhor doce que eu já experimentei em todo o mundo e pra variar melei minha boca toda. –uau! É muito bom, realmente está muito gostoso. –disse depois de tentar limpar a boca.
-Obrigada. –disse ela.- isso é obra da Rachel, que anda me ensinando a fazer essa guloseimas.
-Rachel? Depois eu também quero aprender. –sorrindo.
-Irei te ensinar com muito prazer, criança.
Porque será que essas pessoas mai velhas tem mania de chamar a gente de criança?
-Jasmine, você que alguma ajuda aqui? –ainda com o doce na mão.
-Não precisa.
-Então, vou te esperar na sala, tudo bem?
-Ok.
Segui para sala com a intenção de aproveitar meu doce melhor do que nunca.
-O que você ta comendo? –perguntou Asher, parecendo um criança.
-Doce. –respondi.
-Hum...
¬¬
Eu não entendo esse garoto, ele é muito estranho! Me sentei no sofá e enquanto assistia a TV, tentava comer o doce sem melar minha boca que era minha especialidade.
Estava me sentindo meio incomodada, tentava assistir ao programa que estava passando mas algo me incomodava, até que olhei para o lado e percebi que Asher não tirava os olhos de mim. Eu olhei discretamente, e ele virou o olhar rápido. Mas depois percebi que ele voltou a olhar pra mim.
-O que foi? –perguntei.
-Nada. –começando a rir.
-Então porque você está rindo?
Esse garoto é doido... aff...
-Asher, vamos? –disse Michael ao passar pela sala e se dirigindo a porta.
-Da próxima vez que comer doce, é melhor ter em mãos um guardanapo. –ele disse antes de sair da sala.
-Oh... –eu corri para o espelho, tinha doce até no meu cabelo e eu nem havia percebido.... aiii, eu mato aquele garoto!!!! Eu odeio ele... aff. Não custava nada ele ter sido gentil comigo...
Assim que chegamos ao Clube das Doceiras lá de Wigam, eu fiquei surpresa, pensava que a fazenda do Michael era chique, mas essa aqui já era demais. Um jardim enorme... que dava até medo de tão grande, com portas na entrada... uau!!!!
-Vamos? –perguntou Jasmine.
-Vamos!!!
Na verdade estou um pouco envergonhada, o povo aqui deve ser muito chique e eu nem sei me comportar numa mesa elegante.
-Jasmine? Eu não estou desarrumada para essa reunião? –perguntei o mais baixo que pude, ao aproximarmos da porta de entrada.
-Oh, claro que não. Você está muito bonita.
-Obrigada. –disse sem graça, enquanto ela batia à porta.
Um enorme mordomo veio nos recepcionar e nos conduzir ao local onde estariam as integrantes do clube. E a cada passo que dava, tinha certeza de quem seja que morasse ali, dinheiro para eles era mato. Móveis de madeira, da melhor que encontraram, coisas que só de olhar se sabia que eram caras. Até que chegamos a um salão muito grande ao que me parecia ser a cobertura da casa. Assim que entramos veio uma mulher meio que ruiva nos receber.
-Jasmine. –disse e logo a abraçou. –que bom que chegou, estávamos aguardando você. –Jasmine apenas sorriu de volta. –e quem é essa adorável moça? –isso ai foi pra mim. ¬¬
-Olá senhora, sou Lucy Watson. –e estiquei minha mãe para cumprimentá-la.
-Oh, Watson?
-É a filha do Michael, do seu primeiro casamento. –explicou Jasmine. –veio morar com a gente.
-Sim, a Olive me falou.
Como assim Olive? De onde ela conhecia ela?
-Mas venham, vamos nos sentar. Em alguns minutos começaremos a reunião.
Jasmine e eu seguimos para onde se encontravam as pessoas. Fui apresentada a algumas senhoras muito curiosas, que diziam que eu era muito parecida com o meu pai e lembrava com alguma força da minha mãe, tudo isso na frente de Jasmine.
-Acho que já está na hora de começarmos nossa reunião, creio que já está todo mundo aqui. –disse a senhora ruiva que havia nos recebido. –vamos começar com o nosso juramento.
“Prometo ser uma boa doceira, procurar sempre aperfeiçoar os meus doces, para que sejam cada vez melhores. Doces hoje, doces ontem, doces amanhã”
Foi tudo o que eu consegui gravar, porque elas ficaram quase meia hora falando o que seria um juramento. Então comecei a dar uma olhada em volta, mas logo alguém me puxou pelo braço.
-O que você ta fazendo aqui? –falei para Liv.
-Minha mãe me disse que a filha do Watson estava aqui, então vim ver se era verdade. –disse ela sorridente. –quer mesmo ficar aqui nesta reunião? Aprender a fazer doces?
-Eu estou com Jasmine, e a minha intenção era essa, ao menos a princípio. –disse.
-Creio que não vai gostar muito, essas reuniões aqui são meio chatinhas, sabe? O melhor mesmo é no final ao qual liberam todos os doces.
-Ahn...
-Ei, você podia vir comigo, pra te mostrar a fazenda, é um lugar bem legal. –disse ela.
-Ok, mas primeiro preciso conversar com a Jasmine, sabe... não sei se ela quer que eu fique aqui... então...
-Ok.
Conversei com Jasmine enquanto o juramento ainda era pronunciado, e ela disse que não se importaria, afinal ela já havia me apresentado para grande parte das senhoras ali encontradas.
Olive me levou para longe daquele salão.
-Seria legal você conhecer o Gold.
-E quem é Gold? –perguntei.
-Gold, é minha égua.
-Ahn...
-Olha como ela é linda. –disse assim que nos aproximamos da baia onde estava a égua.
-Uau!! Realmente ela é muito bonita. –exclamei.
-Já faz algum tempo que não ando nela. Precisa trocar as ferraduras, e meu irmão está providenciando isso pra mim.
-Legal. Ela se parece muito com a Suerte.
-Sim, são da mesma raça. É uma raça muito arisca, mas que quando sua confiança é conquistada, se torna um animal inigualável. –disse ela acariciando a égua.
-Ei, -disse um garoto que ninguém sabe de onde surgiu. –você está aqui?
-Sim, vim mostrar a Lucy, Gold.
-Oh, e quem é a sua amiga? –perguntou ele.
-Ela é nova na cidade, filha do Watson. –disse ela.
-Oh, uma Watson? –isso saiu mais em tom de afirmação.
-Lucy, esse é meu irmão Ben.
-Olá Ben, -disse esticando o braço para cumprimentá-lo.
-Muito prazer, Watson. –disse ele com um sorriso começando a nascer em seu rosto.
Ele ficou me encarando por muito tempo, não gostei muito da sensação.
-Gosta de cavalos Watson? –ele perguntou, porque ele não me chama pelo meu nome?
-Pode me chamar de Lucy, -disse –são animais interessantes.
-A Gold, é uma das melhores éguas de todo o país. –disse ele.
-Isso é verdade, eu e meu pai já ganhamos muitos campeonatos com ela. –disse Liv sorridente.
Apenas retribui o sorriso.
-As ferraduras dela chegaram amanhã.
-Porque ferrá-la? Isso não vai doer? –perguntei.
Liv e seu irmão caíram na risada, e eu fiquei sem saber como agir... como assim? Porque eles riram?
-Lucy, ferrar os cavalos é como lhes calçar sapatos. É uma forma de proteger o casco deles, principalmente contra essas modernidades, como asfalto. –explicou Liv.
-Nossa...-fiquei surpresa.
-Vejo que você não sabe nada de cavalos. –falou Bem.
-Sou uma garota da cidade, nunca tive contatos com uma fazenda e com animais tão de perto assim. –respondi.
-Tudo bem, mas é pra isso que estamos aqui. Podemos te ensinar muitas coisas. Vai ver que isso aqui é mais divertido do que pensa. –disse Liv sorrindo. –mas agora vamos, pois tenho que te mostrar o resto da fazenda.
Liv me mostrou tudo o que tinha na fazenda, até onde eu não deveria entrar. Até que finalmente paramos no seu quarto, onde ficamos conversando.
-Acho que já ta na hora de ir, -eu disse.
-Oh, com certeza os doces já estão quase sendo servidos. Vamos!
Voltamos ao salão onde a reunião ainda acontecia.
-A reunião já esta quase acabando –disse Jasmine assim que me aproximei. – o Asher ligou, ma como estava ocupada não pude atender, você poderia retornar pra saber o que era?
-Claro! –peguei o celular e sai do salão com Liv. –O que será que o Asher quer? –perguntei em voz alta.
-Será que não é pra dar notícias sobre a Suerte?
-Vamos ver. –enquanto discava o número.
>>Jasmine?<< -atendeu. >>Aqui é a Lucy, <>ela disse que estava ocupada no momento em que você ligou, posso saber o que era?<< >>Só para avisar que já peguei o Tobey, e que a Suerte ficará lá no veterinário até amanhã<< >>E como ela está?<< >>Ao que tudo indica levará um bom tempo pra voltar a andar perfeitamente, não foi uma fratura de todo o mal, apenas trincou um dos ossos. Mas ainda assim o veterinário pediu o prazo de pelo menos um mês.<< >>Oh... certo.<< >>Bom... acho que é só isso.<< >>Tudo bem, até mais então<< >>Até<< disse ele antes de desligar o telefone.
-E como está Suerte?
-Em mais ou menos um mês poderá estar boa novamente. –respondi.
-Ahn...
Assim que eu e Jasmine chegamos em casa, encontramos com Asher e Tobey assistindo TV e Michael fazendo algo para comerem na cozinha. Tobey veio o mais rápido que pode...
-Mamãe, trouxe doce pra mim? –perguntou pulando no colo dela.
-Claro que sim meu amor. –mostrando uma sacolinha que continha uma vazilha.
-Oba... –sorrindo mais que tudo.
-Mas... só comerá doce depois do jantar. –sai dali rindo pela carinha de tristeza que o Tobey fez. E fazendo de tudo para ele não ver.
Fui para a sala, assistir um pouco de TV. Não estava passando um programa muito interessante, mas Asher estava super concentrado. Olhei para ele brevemente e voltei a encarar a TV.
Depois de comer alguma coisa, fui para o meu quarto, tomei um banho e me deitei na cama e comecei a viajar em meus pensamentos. Lembrei de como era a vida no Source, quando minha mãe ainda estava viva, e quando dei por mim já estava encharcada em lágrimas, sentia muita falta dela... resolvi sair do quarto, já era bem tarde da noite todos já estavam dormindo, segui até a varanda da casa, onde me sentei em um banco e fiquei a observar o breu, onde apenas a lua e as estrelas iluminavam.
Passei a freqüentar aquela varanda quase todas as noites, ali me sentia bem, apesar do frio... mas algo me era familiar ali, e eu gostava daquela sensação... ver as estrelas como nunca havia visto, iluminando mais do que tudo. E apenas algumas luzes de alguns postes que iluminavam bem ao longe.
-Você ainda não foi dormir? –perguntou Michel assim que me viu de pé.
-Estava esperando por vocês, quero saber como está a Suerte. O que disse o veterinário?
-Bom...acho ela vai que ela vai ficar bem. Vai ser um pouco sofrido pra ela, mas acho que ela resistirá. Será um risco que iremos correr.
-De qualquer forma, será algo muito arriscado. –disse Asher, que havia se mantido calado até o momento. –afinal, é um animal para enduro. Se não voltar a andar, vai ser difícil pra ela.
-Infelizmente. –disse Michael.
-Como assim? –perguntei sem entender.
-Lucy, um cavalo precisa de quatro patas pra andar. Se ela tiver três, não vai adiantar de nada. Ela não poderá ficar deitada pra sempre. –disse Michael.
-Oh! –exclamei. Isso era muito mais injusto do que eu pensava. Mas como Suerte havia quebrado a pata? O que havia acontecido?
-É melhor ir se deitar. –disse Asher. –amanhã será a operação.
-Boa noite pra vocês. –disse Michael, passando por mim e me dando um beijo na testa.
Michael subiu as escadas e desapareceu, e eu ainda estava imóvel. Asher me olhando com uma cara de quem estava extremamente preocupado.
-Boa noite. –foi tudo o que eu disse, e subi as escadas.
Pela manhã, a casa estava agitada... não entendi o porque. Segui até a cozinha para tomar café e como de costume todo mundo já tinha feito isso. Lá encontrei com Rachel e pela porta vi Jasmine correndo para acabar de arrumar as coisas do Tobey.
Tomei o meu café rapidinho e fui para o galinheiro, Rachel precisava de alguns ovos para preparar uma torta. Vi que Michael e Asher estavam saindo no trailer, deviam estar indo para o veterinário. Recolhi os ovos e os entreguei a Ray.
Resolvi ‘explorar’ a fazenda, então vi algo que me chamou atenção, um cercado com alguns cavalos com pelagens exóticas. Era algo interessante, então me aproximei e subi na cerca, onde sentei para observá-los.
-O que está fazendo aqui? –quase cai da cerca, pois não tinha visto ninguém ali por perto, e derrepente essa garota aparece aqui do nada.
-Oh. –olhei ainda assustada, era a garota que eu conheci na loja de sapatos, como é mesmo o nome dela? Lully, Lesly, oh... já sei Liv. Ei mas esse é o apelido. –Liv? –tentei afirmar, mas mais saiu como uma pergunta.
-Você não lembra o meu nome né? –afirmei com a cabeça.
-Apenas lembro que ter me falado Liv.
-Esse é o meu apelido, mas pode me chamar assim. Meu nome mesmo é Olive. Lembra agora?
-Oh... claro.
-E você é a Lucy.
-Isso.
-Que fazia aqui? Parecia tão concentrada em algo.
-Ahn... na verdade eu estava apenas observando os cavalos, são muito bonitos, e tem essa cor...
-Oh, vejo que você não sabe nada sobre cavalos. –olhei confusa para ela, mas o que realmente a gente precisa saber? Que eles tem quatro patas, se alimentam e podemos montar neles. – esses são da raça appaloosa.
-Appa... o que? –perguntei.
-Appaloosa. Eles geralmente tem a parte de trás em outra tonalidade, você vê aquele, parece um dálmata.
-Concerteza –ri. –mas é muito bonito.
-Também admiro muito esse animais. Só que eu prefiro o árabe.
-Ahn...
-Você já viu um árabe! –ela afirmou.
-Já? –confusa.
-Sim, a égua que está machucada.
-Como sabe que a Suerte está machucada?
-Hellooo!!! Wigam não é igual ao Source, aqui as notícias correm rápido. –ela disse.
-Sei...
-E para o seu governo, você é a atração aqui da cidade, quase ninguém te conhece aqui ainda. Você raramente sai de casa. E dos poucos relatos que eu tive, o máximo que te viram foi na porta do colégio onde Tobey estuda. –ela disse.
-Ow... não sabia que eu era a ‘atração’ daqui.
-Como não? Você é nova por aqui, cidade pequena é assim.
Apenas olhei assustada para ela.
-Você vai na quermesse, certo?
-Que quermesse?
-No próximo final de semana. A quermesse do verão.
-Não estava sabendo de nada, mas se eles forem eu também terei que ir.
-Ótimo, porque poderei te apresentar para muitas pessoas.
-Me apresentar? Mas...
-Lucy, vai ser bom para você. Não vai querer ficar o tempo todo aqui sozinha.
-Tudo bem. Acho que vai ser uma boa idéia. –assim eu não vou ficar dependendo do Asher para tudo.
-Bom, eu vim aqui só pra ter ver mesmo. Depois aparece lá na minha casa.
-Tudo bem, mas aonde você mora? –perguntei.
-O Asher sabe, é um pouco longe daqui... mas lá é bem legal.
-Ok.
-Já vou indo. Até mais. –saindo correndo em direção ao carro dela, e não era qualquer carro...
Ta... Lucy!!! Voltando pra realidade, acho que sair com Liv vai ser bom, vou me tornar mais independente do Asher. Uma notícia maravilhosa, mas ela disse que a casa dela é longe daqui... como eu vou chegar lá? Nem tenho um carro.
Aff...
Na hora do almoço, Michael e Asher finalmente apareceram e comentaram que o veterinário dava boas noticias sobre a Suerte, que não havia sido nada tão grave quanto todos estavam pensando e que ela logo poderia voltar a andar.
Bem que eu poderia ter adivinhado, já que esse dois chegaram muito sorridentes para o almoço.
-Vocês podem buscar o Tobey pra mim? –perguntou Jasmine, olhando para os garotos.
-Bom, eu vou passar lá no veterinário. Você pode pegá-lo Asher? –perguntou Michael.
-Claro. –continuou a comer.
-Lucy, eu vou a uma reunião das confeiteiras de Wigam, você não gostaria de vir? As pessoas por aqui estão doidas para te conhecer. –disse Jasmine.
-Ahn... acho que vai ser uma boa. –sorri.
Todos terminamos o almoço em silêncio. Fui para o meu quarto me arrumar, queria estar apresentável, não quero passar vergonha. Tomei meu banho, escovei minha franja e deixei o resto do cabelo secar naturalmente, coloquei minha calça skinny e uma blusa xadrez por cima, uma que meu pai havia me dado assim que vim pra cá, juntamente com um cinto lindo... ele até que tem bom gosto. E bom... eu coloquei uma sapatilha, acho melhor deixar minha bota para estrear no dia da quermesse. Até que eu estava bonitinha.
Assim que desci, vi que Asher e Michael ainda não haviam saído, mas Jasmine estava na cozinha, acabando de confeitar uns doces.
-Uau!! Vejo que esta blusa caiu muito bem em você! –sorriu.
-Também gostei muito dela.
-O Michael tem bom gosto. –disse sorrindo. –eu vou acabar de confeitar esses daqui e nós já vamos. Ok?
Assenti com a cabeça.
-Aceita um? –ela perguntou. –é bom que você me diz se gostou.
-Ok. –peguei um doce, e foi o melhor doce que eu já experimentei em todo o mundo e pra variar melei minha boca toda. –uau! É muito bom, realmente está muito gostoso. –disse depois de tentar limpar a boca.
-Obrigada. –disse ela.- isso é obra da Rachel, que anda me ensinando a fazer essa guloseimas.
-Rachel? Depois eu também quero aprender. –sorrindo.
-Irei te ensinar com muito prazer, criança.
Porque será que essas pessoas mai velhas tem mania de chamar a gente de criança?
-Jasmine, você que alguma ajuda aqui? –ainda com o doce na mão.
-Não precisa.
-Então, vou te esperar na sala, tudo bem?
-Ok.
Segui para sala com a intenção de aproveitar meu doce melhor do que nunca.
-O que você ta comendo? –perguntou Asher, parecendo um criança.
-Doce. –respondi.
-Hum...
¬¬
Eu não entendo esse garoto, ele é muito estranho! Me sentei no sofá e enquanto assistia a TV, tentava comer o doce sem melar minha boca que era minha especialidade.
Estava me sentindo meio incomodada, tentava assistir ao programa que estava passando mas algo me incomodava, até que olhei para o lado e percebi que Asher não tirava os olhos de mim. Eu olhei discretamente, e ele virou o olhar rápido. Mas depois percebi que ele voltou a olhar pra mim.
-O que foi? –perguntei.
-Nada. –começando a rir.
-Então porque você está rindo?
Esse garoto é doido... aff...
-Asher, vamos? –disse Michael ao passar pela sala e se dirigindo a porta.
-Da próxima vez que comer doce, é melhor ter em mãos um guardanapo. –ele disse antes de sair da sala.
-Oh... –eu corri para o espelho, tinha doce até no meu cabelo e eu nem havia percebido.... aiii, eu mato aquele garoto!!!! Eu odeio ele... aff. Não custava nada ele ter sido gentil comigo...
Assim que chegamos ao Clube das Doceiras lá de Wigam, eu fiquei surpresa, pensava que a fazenda do Michael era chique, mas essa aqui já era demais. Um jardim enorme... que dava até medo de tão grande, com portas na entrada... uau!!!!
-Vamos? –perguntou Jasmine.
-Vamos!!!
Na verdade estou um pouco envergonhada, o povo aqui deve ser muito chique e eu nem sei me comportar numa mesa elegante.
-Jasmine? Eu não estou desarrumada para essa reunião? –perguntei o mais baixo que pude, ao aproximarmos da porta de entrada.
-Oh, claro que não. Você está muito bonita.
-Obrigada. –disse sem graça, enquanto ela batia à porta.
Um enorme mordomo veio nos recepcionar e nos conduzir ao local onde estariam as integrantes do clube. E a cada passo que dava, tinha certeza de quem seja que morasse ali, dinheiro para eles era mato. Móveis de madeira, da melhor que encontraram, coisas que só de olhar se sabia que eram caras. Até que chegamos a um salão muito grande ao que me parecia ser a cobertura da casa. Assim que entramos veio uma mulher meio que ruiva nos receber.
-Jasmine. –disse e logo a abraçou. –que bom que chegou, estávamos aguardando você. –Jasmine apenas sorriu de volta. –e quem é essa adorável moça? –isso ai foi pra mim. ¬¬
-Olá senhora, sou Lucy Watson. –e estiquei minha mãe para cumprimentá-la.
-Oh, Watson?
-É a filha do Michael, do seu primeiro casamento. –explicou Jasmine. –veio morar com a gente.
-Sim, a Olive me falou.
Como assim Olive? De onde ela conhecia ela?
-Mas venham, vamos nos sentar. Em alguns minutos começaremos a reunião.
Jasmine e eu seguimos para onde se encontravam as pessoas. Fui apresentada a algumas senhoras muito curiosas, que diziam que eu era muito parecida com o meu pai e lembrava com alguma força da minha mãe, tudo isso na frente de Jasmine.
-Acho que já está na hora de começarmos nossa reunião, creio que já está todo mundo aqui. –disse a senhora ruiva que havia nos recebido. –vamos começar com o nosso juramento.
“Prometo ser uma boa doceira, procurar sempre aperfeiçoar os meus doces, para que sejam cada vez melhores. Doces hoje, doces ontem, doces amanhã”
Foi tudo o que eu consegui gravar, porque elas ficaram quase meia hora falando o que seria um juramento. Então comecei a dar uma olhada em volta, mas logo alguém me puxou pelo braço.
-O que você ta fazendo aqui? –falei para Liv.
-Minha mãe me disse que a filha do Watson estava aqui, então vim ver se era verdade. –disse ela sorridente. –quer mesmo ficar aqui nesta reunião? Aprender a fazer doces?
-Eu estou com Jasmine, e a minha intenção era essa, ao menos a princípio. –disse.
-Creio que não vai gostar muito, essas reuniões aqui são meio chatinhas, sabe? O melhor mesmo é no final ao qual liberam todos os doces.
-Ahn...
-Ei, você podia vir comigo, pra te mostrar a fazenda, é um lugar bem legal. –disse ela.
-Ok, mas primeiro preciso conversar com a Jasmine, sabe... não sei se ela quer que eu fique aqui... então...
-Ok.
Conversei com Jasmine enquanto o juramento ainda era pronunciado, e ela disse que não se importaria, afinal ela já havia me apresentado para grande parte das senhoras ali encontradas.
Olive me levou para longe daquele salão.
-Seria legal você conhecer o Gold.
-E quem é Gold? –perguntei.
-Gold, é minha égua.
-Ahn...
-Olha como ela é linda. –disse assim que nos aproximamos da baia onde estava a égua.
-Uau!! Realmente ela é muito bonita. –exclamei.
-Já faz algum tempo que não ando nela. Precisa trocar as ferraduras, e meu irmão está providenciando isso pra mim.
-Legal. Ela se parece muito com a Suerte.
-Sim, são da mesma raça. É uma raça muito arisca, mas que quando sua confiança é conquistada, se torna um animal inigualável. –disse ela acariciando a égua.
-Ei, -disse um garoto que ninguém sabe de onde surgiu. –você está aqui?
-Sim, vim mostrar a Lucy, Gold.
-Oh, e quem é a sua amiga? –perguntou ele.
-Ela é nova na cidade, filha do Watson. –disse ela.
-Oh, uma Watson? –isso saiu mais em tom de afirmação.
-Lucy, esse é meu irmão Ben.
-Olá Ben, -disse esticando o braço para cumprimentá-lo.
-Muito prazer, Watson. –disse ele com um sorriso começando a nascer em seu rosto.
Ele ficou me encarando por muito tempo, não gostei muito da sensação.
-Gosta de cavalos Watson? –ele perguntou, porque ele não me chama pelo meu nome?
-Pode me chamar de Lucy, -disse –são animais interessantes.
-A Gold, é uma das melhores éguas de todo o país. –disse ele.
-Isso é verdade, eu e meu pai já ganhamos muitos campeonatos com ela. –disse Liv sorridente.
Apenas retribui o sorriso.
-As ferraduras dela chegaram amanhã.
-Porque ferrá-la? Isso não vai doer? –perguntei.
Liv e seu irmão caíram na risada, e eu fiquei sem saber como agir... como assim? Porque eles riram?
-Lucy, ferrar os cavalos é como lhes calçar sapatos. É uma forma de proteger o casco deles, principalmente contra essas modernidades, como asfalto. –explicou Liv.
-Nossa...-fiquei surpresa.
-Vejo que você não sabe nada de cavalos. –falou Bem.
-Sou uma garota da cidade, nunca tive contatos com uma fazenda e com animais tão de perto assim. –respondi.
-Tudo bem, mas é pra isso que estamos aqui. Podemos te ensinar muitas coisas. Vai ver que isso aqui é mais divertido do que pensa. –disse Liv sorrindo. –mas agora vamos, pois tenho que te mostrar o resto da fazenda.
Liv me mostrou tudo o que tinha na fazenda, até onde eu não deveria entrar. Até que finalmente paramos no seu quarto, onde ficamos conversando.
-Acho que já ta na hora de ir, -eu disse.
-Oh, com certeza os doces já estão quase sendo servidos. Vamos!
Voltamos ao salão onde a reunião ainda acontecia.
-A reunião já esta quase acabando –disse Jasmine assim que me aproximei. – o Asher ligou, ma como estava ocupada não pude atender, você poderia retornar pra saber o que era?
-Claro! –peguei o celular e sai do salão com Liv. –O que será que o Asher quer? –perguntei em voz alta.
-Será que não é pra dar notícias sobre a Suerte?
-Vamos ver. –enquanto discava o número.
>>Jasmine?<< -atendeu. >>Aqui é a Lucy, <
-E como está Suerte?
-Em mais ou menos um mês poderá estar boa novamente. –respondi.
-Ahn...
Assim que eu e Jasmine chegamos em casa, encontramos com Asher e Tobey assistindo TV e Michael fazendo algo para comerem na cozinha. Tobey veio o mais rápido que pode...
-Mamãe, trouxe doce pra mim? –perguntou pulando no colo dela.
-Claro que sim meu amor. –mostrando uma sacolinha que continha uma vazilha.
-Oba... –sorrindo mais que tudo.
-Mas... só comerá doce depois do jantar. –sai dali rindo pela carinha de tristeza que o Tobey fez. E fazendo de tudo para ele não ver.
Fui para a sala, assistir um pouco de TV. Não estava passando um programa muito interessante, mas Asher estava super concentrado. Olhei para ele brevemente e voltei a encarar a TV.
Depois de comer alguma coisa, fui para o meu quarto, tomei um banho e me deitei na cama e comecei a viajar em meus pensamentos. Lembrei de como era a vida no Source, quando minha mãe ainda estava viva, e quando dei por mim já estava encharcada em lágrimas, sentia muita falta dela... resolvi sair do quarto, já era bem tarde da noite todos já estavam dormindo, segui até a varanda da casa, onde me sentei em um banco e fiquei a observar o breu, onde apenas a lua e as estrelas iluminavam.
Passei a freqüentar aquela varanda quase todas as noites, ali me sentia bem, apesar do frio... mas algo me era familiar ali, e eu gostava daquela sensação... ver as estrelas como nunca havia visto, iluminando mais do que tudo. E apenas algumas luzes de alguns postes que iluminavam bem ao longe.
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