terça-feira, 5 de outubro de 2010

CAP. 4 - Na casa de Liv!

Asher e Michael chegaram em casa, já bem tarde da noite, eu os aguardava na sala e tomei um baita susto quando chegaram.
-Você ainda não foi dormir? –perguntou Michel assim que me viu de pé.
-Estava esperando por vocês, quero saber como está a Suerte. O que disse o veterinário?
-Bom...acho ela vai que ela vai ficar bem. Vai ser um pouco sofrido pra ela, mas acho que ela resistirá. Será um risco que iremos correr.
-De qualquer forma, será algo muito arriscado. –disse Asher, que havia se mantido calado até o momento. –afinal, é um animal para enduro. Se não voltar a andar, vai ser difícil pra ela.
-Infelizmente. –disse Michael.
-Como assim? –perguntei sem entender.
-Lucy, um cavalo precisa de quatro patas pra andar. Se ela tiver três, não vai adiantar de nada. Ela não poderá ficar deitada pra sempre. –disse Michael.
-Oh! –exclamei. Isso era muito mais injusto do que eu pensava. Mas como Suerte havia quebrado a pata? O que havia acontecido?
-É melhor ir se deitar. –disse Asher. –amanhã será a operação.
-Boa noite pra vocês. –disse Michael, passando por mim e me dando um beijo na testa.
Michael subiu as escadas e desapareceu, e eu ainda estava imóvel. Asher me olhando com uma cara de quem estava extremamente preocupado.
-Boa noite. –foi tudo o que eu disse, e subi as escadas.

Pela manhã, a casa estava agitada... não entendi o porque. Segui até a cozinha para tomar café e como de costume todo mundo já tinha feito isso. Lá encontrei com Rachel e pela porta vi Jasmine correndo para acabar de arrumar as coisas do Tobey.
Tomei o meu café rapidinho e fui para o galinheiro, Rachel precisava de alguns ovos para preparar uma torta. Vi que Michael e Asher estavam saindo no trailer, deviam estar indo para o veterinário. Recolhi os ovos e os entreguei a Ray.
Resolvi ‘explorar’ a fazenda, então vi algo que me chamou atenção, um cercado com alguns cavalos com pelagens exóticas. Era algo interessante, então me aproximei e subi na cerca, onde sentei para observá-los.
-O que está fazendo aqui? –quase cai da cerca, pois não tinha visto ninguém ali por perto, e derrepente essa garota aparece aqui do nada.
-Oh. –olhei ainda assustada, era a garota que eu conheci na loja de sapatos, como é mesmo o nome dela? Lully, Lesly, oh... já sei Liv. Ei mas esse é o apelido. –Liv? –tentei afirmar, mas mais saiu como uma pergunta.
-Você não lembra o meu nome né? –afirmei com a cabeça.
-Apenas lembro que ter me falado Liv.
-Esse é o meu apelido, mas pode me chamar assim. Meu nome mesmo é Olive. Lembra agora?
-Oh... claro.
-E você é a Lucy.
-Isso.
-Que fazia aqui? Parecia tão concentrada em algo.
-Ahn... na verdade eu estava apenas observando os cavalos, são muito bonitos, e tem essa cor...
-Oh, vejo que você não sabe nada sobre cavalos. –olhei confusa para ela, mas o que realmente a gente precisa saber? Que eles tem quatro patas, se alimentam e podemos montar neles. – esses são da raça appaloosa.
-Appa... o que? –perguntei.
-Appaloosa. Eles geralmente tem a parte de trás em outra tonalidade, você vê aquele, parece um dálmata.
-Concerteza –ri. –mas é muito bonito.
-Também admiro muito esse animais. Só que eu prefiro o árabe.
-Ahn...
-Você já viu um árabe! –ela afirmou.
-Já? –confusa.
-Sim, a égua que está machucada.
-Como sabe que a Suerte está machucada?
-Hellooo!!! Wigam não é igual ao Source, aqui as notícias correm rápido. –ela disse.
-Sei...
-E para o seu governo, você é a atração aqui da cidade, quase ninguém te conhece aqui ainda. Você raramente sai de casa. E dos poucos relatos que eu tive, o máximo que te viram foi na porta do colégio onde Tobey estuda. –ela disse.
-Ow... não sabia que eu era a ‘atração’ daqui.
-Como não? Você é nova por aqui, cidade pequena é assim.
Apenas olhei assustada para ela.
-Você vai na quermesse, certo?
-Que quermesse?
-No próximo final de semana. A quermesse do verão.
-Não estava sabendo de nada, mas se eles forem eu também terei que ir.
-Ótimo, porque poderei te apresentar para muitas pessoas.
-Me apresentar? Mas...
-Lucy, vai ser bom para você. Não vai querer ficar o tempo todo aqui sozinha.
-Tudo bem. Acho que vai ser uma boa idéia. –assim eu não vou ficar dependendo do Asher para tudo.
-Bom, eu vim aqui só pra ter ver mesmo. Depois aparece lá na minha casa.
-Tudo bem, mas aonde você mora? –perguntei.
-O Asher sabe, é um pouco longe daqui... mas lá é bem legal.
-Ok.
-Já vou indo. Até mais. –saindo correndo em direção ao carro dela, e não era qualquer carro...
Ta... Lucy!!! Voltando pra realidade, acho que sair com Liv vai ser bom, vou me tornar mais independente do Asher. Uma notícia maravilhosa, mas ela disse que a casa dela é longe daqui... como eu vou chegar lá? Nem tenho um carro.
Aff...

Na hora do almoço, Michael e Asher finalmente apareceram e comentaram que o veterinário dava boas noticias sobre a Suerte, que não havia sido nada tão grave quanto todos estavam pensando e que ela logo poderia voltar a andar.
Bem que eu poderia ter adivinhado, já que esse dois chegaram muito sorridentes para o almoço.
-Vocês podem buscar o Tobey pra mim? –perguntou Jasmine, olhando para os garotos.
-Bom, eu vou passar lá no veterinário. Você pode pegá-lo Asher? –perguntou Michael.
-Claro. –continuou a comer.
-Lucy, eu vou a uma reunião das confeiteiras de Wigam, você não gostaria de vir? As pessoas por aqui estão doidas para te conhecer. –disse Jasmine.
-Ahn... acho que vai ser uma boa. –sorri.
Todos terminamos o almoço em silêncio. Fui para o meu quarto me arrumar, queria estar apresentável, não quero passar vergonha. Tomei meu banho, escovei minha franja e deixei o resto do cabelo secar naturalmente, coloquei minha calça skinny e uma blusa xadrez por cima, uma que meu pai havia me dado assim que vim pra cá, juntamente com um cinto lindo... ele até que tem bom gosto. E bom... eu coloquei uma sapatilha, acho melhor deixar minha bota para estrear no dia da quermesse. Até que eu estava bonitinha.
Assim que desci, vi que Asher e Michael ainda não haviam saído, mas Jasmine estava na cozinha, acabando de confeitar uns doces.
-Uau!! Vejo que esta blusa caiu muito bem em você! –sorriu.
-Também gostei muito dela.
-O Michael tem bom gosto. –disse sorrindo. –eu vou acabar de confeitar esses daqui e nós já vamos. Ok?
Assenti com a cabeça.
-Aceita um? –ela perguntou. –é bom que você me diz se gostou.
-Ok. –peguei um doce, e foi o melhor doce que eu já experimentei em todo o mundo e pra variar melei minha boca toda. –uau! É muito bom, realmente está muito gostoso. –disse depois de tentar limpar a boca.
-Obrigada. –disse ela.- isso é obra da Rachel, que anda me ensinando a fazer essa guloseimas.
-Rachel? Depois eu também quero aprender. –sorrindo.
-Irei te ensinar com muito prazer, criança.
Porque será que essas pessoas mai velhas tem mania de chamar a gente de criança?
-Jasmine, você que alguma ajuda aqui? –ainda com o doce na mão.
-Não precisa.
-Então, vou te esperar na sala, tudo bem?
-Ok.
Segui para sala com a intenção de aproveitar meu doce melhor do que nunca.
-O que você ta comendo? –perguntou Asher, parecendo um criança.
-Doce. –respondi.
-Hum...
¬¬
Eu não entendo esse garoto, ele é muito estranho! Me sentei no sofá e enquanto assistia a TV, tentava comer o doce sem melar minha boca que era minha especialidade.
Estava me sentindo meio incomodada, tentava assistir ao programa que estava passando mas algo me incomodava, até que olhei para o lado e percebi que Asher não tirava os olhos de mim. Eu olhei discretamente, e ele virou o olhar rápido. Mas depois percebi que ele voltou a olhar pra mim.
-O que foi? –perguntei.
-Nada. –começando a rir.
-Então porque você está rindo?
Esse garoto é doido... aff...
-Asher, vamos? –disse Michael ao passar pela sala e se dirigindo a porta.
-Da próxima vez que comer doce, é melhor ter em mãos um guardanapo. –ele disse antes de sair da sala.
-Oh... –eu corri para o espelho, tinha doce até no meu cabelo e eu nem havia percebido.... aiii, eu mato aquele garoto!!!! Eu odeio ele... aff. Não custava nada ele ter sido gentil comigo...

Assim que chegamos ao Clube das Doceiras lá de Wigam, eu fiquei surpresa, pensava que a fazenda do Michael era chique, mas essa aqui já era demais. Um jardim enorme... que dava até medo de tão grande, com portas na entrada... uau!!!!
-Vamos? –perguntou Jasmine.
-Vamos!!!
Na verdade estou um pouco envergonhada, o povo aqui deve ser muito chique e eu nem sei me comportar numa mesa elegante.
-Jasmine? Eu não estou desarrumada para essa reunião? –perguntei o mais baixo que pude, ao aproximarmos da porta de entrada.
-Oh, claro que não. Você está muito bonita.
-Obrigada. –disse sem graça, enquanto ela batia à porta.
Um enorme mordomo veio nos recepcionar e nos conduzir ao local onde estariam as integrantes do clube. E a cada passo que dava, tinha certeza de quem seja que morasse ali, dinheiro para eles era mato. Móveis de madeira, da melhor que encontraram, coisas que só de olhar se sabia que eram caras. Até que chegamos a um salão muito grande ao que me parecia ser a cobertura da casa. Assim que entramos veio uma mulher meio que ruiva nos receber.
-Jasmine. –disse e logo a abraçou. –que bom que chegou, estávamos aguardando você. –Jasmine apenas sorriu de volta. –e quem é essa adorável moça? –isso ai foi pra mim. ¬¬
-Olá senhora, sou Lucy Watson. –e estiquei minha mãe para cumprimentá-la.
-Oh, Watson?
-É a filha do Michael, do seu primeiro casamento. –explicou Jasmine. –veio morar com a gente.
-Sim, a Olive me falou.
Como assim Olive? De onde ela conhecia ela?
-Mas venham, vamos nos sentar. Em alguns minutos começaremos a reunião.
Jasmine e eu seguimos para onde se encontravam as pessoas. Fui apresentada a algumas senhoras muito curiosas, que diziam que eu era muito parecida com o meu pai e lembrava com alguma força da minha mãe, tudo isso na frente de Jasmine.
-Acho que já está na hora de começarmos nossa reunião, creio que já está todo mundo aqui. –disse a senhora ruiva que havia nos recebido. –vamos começar com o nosso juramento.
“Prometo ser uma boa doceira, procurar sempre aperfeiçoar os meus doces, para que sejam cada vez melhores. Doces hoje, doces ontem, doces amanhã”
Foi tudo o que eu consegui gravar, porque elas ficaram quase meia hora falando o que seria um juramento. Então comecei a dar uma olhada em volta, mas logo alguém me puxou pelo braço.
-O que você ta fazendo aqui? –falei para Liv.
-Minha mãe me disse que a filha do Watson estava aqui, então vim ver se era verdade. –disse ela sorridente. –quer mesmo ficar aqui nesta reunião? Aprender a fazer doces?
-Eu estou com Jasmine, e a minha intenção era essa, ao menos a princípio. –disse.
-Creio que não vai gostar muito, essas reuniões aqui são meio chatinhas, sabe? O melhor mesmo é no final ao qual liberam todos os doces.
-Ahn...
-Ei, você podia vir comigo, pra te mostrar a fazenda, é um lugar bem legal. –disse ela.
-Ok, mas primeiro preciso conversar com a Jasmine, sabe... não sei se ela quer que eu fique aqui... então...
-Ok.
Conversei com Jasmine enquanto o juramento ainda era pronunciado, e ela disse que não se importaria, afinal ela já havia me apresentado para grande parte das senhoras ali encontradas.
Olive me levou para longe daquele salão.
-Seria legal você conhecer o Gold.
-E quem é Gold? –perguntei.
-Gold, é minha égua.
-Ahn...
-Olha como ela é linda. –disse assim que nos aproximamos da baia onde estava a égua.
-Uau!! Realmente ela é muito bonita. –exclamei.
-Já faz algum tempo que não ando nela. Precisa trocar as ferraduras, e meu irmão está providenciando isso pra mim.
-Legal. Ela se parece muito com a Suerte.
-Sim, são da mesma raça. É uma raça muito arisca, mas que quando sua confiança é conquistada, se torna um animal inigualável. –disse ela acariciando a égua.
-Ei, -disse um garoto que ninguém sabe de onde surgiu. –você está aqui?
-Sim, vim mostrar a Lucy, Gold.
-Oh, e quem é a sua amiga? –perguntou ele.
-Ela é nova na cidade, filha do Watson. –disse ela.
-Oh, uma Watson? –isso saiu mais em tom de afirmação.
-Lucy, esse é meu irmão Ben.
-Olá Ben, -disse esticando o braço para cumprimentá-lo.
-Muito prazer, Watson. –disse ele com um sorriso começando a nascer em seu rosto.
Ele ficou me encarando por muito tempo, não gostei muito da sensação.
-Gosta de cavalos Watson? –ele perguntou, porque ele não me chama pelo meu nome?
-Pode me chamar de Lucy, -disse –são animais interessantes.
-A Gold, é uma das melhores éguas de todo o país. –disse ele.
-Isso é verdade, eu e meu pai já ganhamos muitos campeonatos com ela. –disse Liv sorridente.
Apenas retribui o sorriso.
-As ferraduras dela chegaram amanhã.
-Porque ferrá-la? Isso não vai doer? –perguntei.
Liv e seu irmão caíram na risada, e eu fiquei sem saber como agir... como assim? Porque eles riram?
-Lucy, ferrar os cavalos é como lhes calçar sapatos. É uma forma de proteger o casco deles, principalmente contra essas modernidades, como asfalto. –explicou Liv.
-Nossa...-fiquei surpresa.
-Vejo que você não sabe nada de cavalos. –falou Bem.
-Sou uma garota da cidade, nunca tive contatos com uma fazenda e com animais tão de perto assim. –respondi.
-Tudo bem, mas é pra isso que estamos aqui. Podemos te ensinar muitas coisas. Vai ver que isso aqui é mais divertido do que pensa. –disse Liv sorrindo. –mas agora vamos, pois tenho que te mostrar o resto da fazenda.
Liv me mostrou tudo o que tinha na fazenda, até onde eu não deveria entrar. Até que finalmente paramos no seu quarto, onde ficamos conversando.
-Acho que já ta na hora de ir, -eu disse.
-Oh, com certeza os doces já estão quase sendo servidos. Vamos!
Voltamos ao salão onde a reunião ainda acontecia.
-A reunião já esta quase acabando –disse Jasmine assim que me aproximei. – o Asher ligou, ma como estava ocupada não pude atender, você poderia retornar pra saber o que era?
-Claro! –peguei o celular e sai do salão com Liv. –O que será que o Asher quer? –perguntei em voz alta.
-Será que não é pra dar notícias sobre a Suerte?
-Vamos ver. –enquanto discava o número.
>>Jasmine?<< -atendeu. >>Aqui é a Lucy, <>ela disse que estava ocupada no momento em que você ligou, posso saber o que era?<< >>Só para avisar que já peguei o Tobey, e que a Suerte ficará lá no veterinário até amanhã<< >>E como ela está?<< >>Ao que tudo indica levará um bom tempo pra voltar a andar perfeitamente, não foi uma fratura de todo o mal, apenas trincou um dos ossos. Mas ainda assim o veterinário pediu o prazo de pelo menos um mês.<< >>Oh... certo.<< >>Bom... acho que é só isso.<< >>Tudo bem, até mais então<< >>Até<< disse ele antes de desligar o telefone.
-E como está Suerte?
-Em mais ou menos um mês poderá estar boa novamente. –respondi.
-Ahn...

Assim que eu e Jasmine chegamos em casa, encontramos com Asher e Tobey assistindo TV e Michael fazendo algo para comerem na cozinha. Tobey veio o mais rápido que pode...
-Mamãe, trouxe doce pra mim? –perguntou pulando no colo dela.
-Claro que sim meu amor. –mostrando uma sacolinha que continha uma vazilha.
-Oba... –sorrindo mais que tudo.
-Mas... só comerá doce depois do jantar. –sai dali rindo pela carinha de tristeza que o Tobey fez. E fazendo de tudo para ele não ver.
Fui para a sala, assistir um pouco de TV. Não estava passando um programa muito interessante, mas Asher estava super concentrado. Olhei para ele brevemente e voltei a encarar a TV.
Depois de comer alguma coisa, fui para o meu quarto, tomei um banho e me deitei na cama e comecei a viajar em meus pensamentos. Lembrei de como era a vida no Source, quando minha mãe ainda estava viva, e quando dei por mim já estava encharcada em lágrimas, sentia muita falta dela... resolvi sair do quarto, já era bem tarde da noite todos já estavam dormindo, segui até a varanda da casa, onde me sentei em um banco e fiquei a observar o breu, onde apenas a lua e as estrelas iluminavam.
Passei a freqüentar aquela varanda quase todas as noites, ali me sentia bem, apesar do frio... mas algo me era familiar ali, e eu gostava daquela sensação... ver as estrelas como nunca havia visto, iluminando mais do que tudo. E apenas algumas luzes de alguns postes que iluminavam bem ao longe.

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